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Pentágono libera 198 fotos de casos de abuso contra prisioneiros

Imagens fazem parte de investigação sobre tortura de detentos no Iraque e no Afeganistão; outras 1.800 fotos continuam sendo retidas pelos militares americanos

O Pentágono liberou nesta sexta-feira 198 fotos inéditas de abusos cometidos contra detentos de presídios controlados pelos Estados Unidos no Iraque e no Afeganistão, nos anos 2000. As imagens fazem parte de uma investigação sobre má-conduta dos militares americanos e foram divulgadas depois de 12 anos de uma batalha jurídica travada pela União Americana pelas Liberdades Civis (UCLA, na sigla em inglês), uma ONG de defesa dos direitos civis.

A maioria das imagens liberadas nesta sexta mostra closes de ferimentos nos presos, mas há também fotos em que os detentos aparecem ajoelhados. Tarjas pretas cobrem parcialmente os rostos dos retratados, para evitar sua identificação.

O Pentágono, no entanto, segue impedindo a liberação de outras 1.800 fotos dos relatórios sobre os abusos, pelo mesmo motivo que segurava as 198 divulgadas hoje: os militares alegam que a publicação pode colocar em risco a segurança de soldados americanos no exterior.

O escândalo da tortura de prisioneiros sob responsabilidade dos EUA começou a vir à tona depois que fotos de sessões de maus-tratos na prisão de Abu Ghraib, no Iraque, chocaram o mundo em 2004 e motivaram o afastamento de diversos militares.

Desde então, a ACLU reivindica na Justiça a publicação de 2.000 fotos sobre a degradação no trato de prisioneiros. O pedido da ONG foi respondido de forma negativa por vários secretários da Defesa e, apenas nesta sexta, o Pentágono aceitou liberar uma pequena parcela das imagens.

Em declaração para o New York Times, o advogado da UCLA, Jameel Jaffer, chamou a atitude do Pentágono de “divulgação seletiva” e questionou: “Essas [fotos] aqui mostram indivíduos com ferimentos de diferentes gravidades. O que está nas outras 1.800 que o governo ainda não liberou?”.

(Da redação)