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Passeio de alto risco: a erupção do vulcão na Nova Zelândia

Turismo pela Ilha Branca era tido como uma atividade de baixo risco — não mais

Por Ernesto Neves - Atualizado em 13 dez 2019, 10h07 - Publicado em 13 dez 2019, 06h00

Era para ser um passeio de turistas aventureiros pela paisagem lunar da bela atração da Ilha Branca, na Nova Zelândia: um vulcão em atividade. Pois no exato momento em que 47 pessoas circulavam por lá na segunda-feira 9 ele entrou em erupção, despejando uma nuvem de fumaça tóxica misturada com pedaços de rocha incandescente. Na correria que se seguiu, barcos de turismo próximos, lotados de passageiros de celular em punho, filmando o que um deles comparou com “a explosão de uma bomba atômica”, ajudaram a resgatar quem conseguiu escapar. No balanço da quarta-feira 11, eram seis mortos, oito desaparecidos e trinta vítimas hospitalizadas, a maioria australiana, todas com queimaduras em pelo menos 30% do corpo.

A atividade do vulcão vinha aumentando fazia dias e alcançava o nível 3, na tabela de 1 a 5, do serviço de monitoramento de risco geológico GeoNet, o que significa que ele estava “entrando em um período em que a atividade eruptiva é mais provável”. Mas não há controle da visitação — são os turistas que decidem se querem ou não pisar na ilha. Em uma bem-sucedida estratégia de marketing, a Nova Zelândia converteu sua geologia única na meca mundial do turismo radical, com a promessa de doses elevadas de adrenalina combinadas a padrões rígidos de segurança. O passeio pela Ilha Branca, onde a última erupção foi em 2001, era tido como uma atividade de baixo risco. Não mais.

Publicado em VEJA de 18 de dezembro de 2019, edição nº 2665

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