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Partido de Berlusconi se divide e país vive crise política

Premiê acusa presidente da Câmara dos Deputados de ser um traidor, conspirador e de tentar provocar a “morte lenta” do Povo da Liberdade (PDL)

A Itália amanheceu mergulhada em uma profunda crise política nesta sexta-feira, após o rompimento do primeiro-ministro Silvio Berlusconi com seu aliado mais importante, o poderoso presidente da Câmara dos Deputados, Gianfranco Fini. O premiê acusa Fini de ser um traidor, conspirador e de tentar provocar uma “morte lenta” do Povo da Liberdade (PDL), partido de ambos. No entanto, Fini anunciou que não deixará o cargo e já fundou outro partido, levando 33 deputados e oito senadores. Com isso, a coalizão de Berlusconi pode perder maioria no Congresso e o país terá de antecipar as próximas eleições.

A crise culminou na noite da última quinta-feira, quando a animosidade entre os políticos – que veio a público nos últimos meses – terminou com um documento da direção partidária censurando Fini por suas ações e declarações, e acusando-o de não representar mais os ideais do partido que ajudou a criar. O presidente da Câmara leu as advertências do premiê e o atacou: “Berlusconi não tem uma concepção propriamente liberal de democracia. Obviamente, eu não vou renunciar.”

Segundo o jornal italiano Corriere della Sera, Fini já fundou um novo partido, chamado Futuro e Liberdade para a Itália, e levou consigo 33 deputados e oito senadores. Para ter maioria, um governo precisa de 316 deputados. A coalizão formada pelo PDL e pelo partido xenófobo Liga Norte tinha, antes da divisão, 344 deputados, incluindo 14 deputados de pequenos partidos, que decidem seus votos caso a caso. Sem o apoio de Fini, Berlusconi pode ficar refém dos pequenos partidos e da Liga Norte, o que já causou a queda do seu primeiro governo, em 1994. Na ocasião, Berlusconi renunciou menos de um ano após assumir o poder porque a Liga Norte abandonou a coalizão, enfraquecendo o governo.

Governo – Em entrevista coletiva, no entanto, o primeiro-ministro afirmou: “Não há risco, temos maioria”. Berlusconi insiste que o rompimento não afetará a estabilidade do seu governo, embora a coalizão de centro-direita dê sustentação ao seu partido – acredita-se que Fini controle os votos de mais de 50 parlamentares. Além disso, a presidência da Câmara lhe dá enorme poder para definir a pauta parlamentar.

De acordo com o jornal italiano, o episódio reflete um governo desestabilizado apenas dois anos após o seu início, e Berlusconi deve explicações ao povo italiano. O comportamento desafiador de Fini é apontado como um fator, mas não o suficiente para tamanha crise. “É inaceitável que o país pague por um conflito que tem os contornos de uma disputa visceral”, diz o editorial.

A situação causada pela divisão do partido governista é inédita, e não há diretrizes constitucionais sobre o que deve acontecer agora. Analistas afirmam que Berlusconi estaria conformado com a convocação de eleições por acreditar que o seu partido se sairá melhor sem Fini. O líder da oposição, Pier Luigi Bersani, disse que Berlusconi deveria admitir que seu governo enfrenta uma crise profunda e se dirigir ao Parlamento.

(Com agência Reuters)