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Para Eurocâmara, Londres se arrisca ao cogitar deixar UE

O presidente do Parlamento Europeu adverte que seria prejudicial para a Grã-Bretanha diminuir sua participação nas políticas da comunidade europeia

Por Da Redação - 23 jan 2013, 10h25

O presidente do Parlamento Europeu, Martin Schulz, advertiu nesta quarta-feira o governo britânico de que a Grã-Bretanha está participando de “um jogo perigoso” ao cogitar um referendo sobre a continuidade do país na União Europeia (UE). Segundo Schulz, seria prejudicial para Londres diminuir sua participação nas políticas da comunidade europeia. As declarações foram feitas por meio de um comunicado.

“Em um mundo globalizado, não é do interesse da Grã-Bretanha arriscar sua permanência na UE e reduzir sua influência nos assuntos europeus e globais”, opinou Schulz. Para o presidente da Eurocâmara, o discurso sobre a Europa pronunciado pelo primeiro-ministro David Cameron “não reflete a realidade europeia, e sim as preocupações dos elementos ‘eurocéticos’ do Partido Conservador britânico”.

“Suspeito que o primeiro-ministro Cameron, com seu anúncio de referendo, está participando de um jogo perigoso por razões táticas”, declarou o político alemão. Para Schulz, Cameron é sincero quando diz que não quer que seu país saia da UE, mas cada vez tem mais dificuldades para controlar as forças de seu partido que querem a saída “por razões ideológicas e em detrimento dos cidadãos britânicos”.

O presidente da Eurocâmara também se mostrou contrário a uma renegociação dos tratados que vinculam a Grã-Bretanha à União Europeia, ao considerar que criaria um precedente arriscado e poderia provocar a desintegração da aliança. “Precisamos da Grã-Bretanha como um membro de pleno direito, não se resguardando no porto de Dover”, concluiu.

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Discurso – Mais cedo, Cameron se comprometeu, em um discurso pronunciado nesta quarta-feira, a convocar após as eleições de 2015, se for reeleito, um plebiscito para que o povo decida se a Grã-Bretanha deve permanecer ou não na União Europeia. “É hora de os britânicos darem uma palavra a esse respeito. Eu digo: a decisão é de vocês”, afirmou.

Cameron disse que, apesar de saber que a Grã-Bretanha sobreviveria fora da UE, essa decisão tem de ser pensada com muito cuidado devido a suas implicações. “Se nós deixarmos a União Europeia, será um bilhete apenas de ida”, disse. Mesmo assim, ele considera o referendo necessário por causa do “desencanto atual da opinião pública” com os rumos do bloco.

O pronunciamento de Cameron foi criticado pela oposição. Para os trabalhistas, ele é um “primeiro-ministro fraco, que está sendo levado pelos interesses de seu partido – e não os da economia britânica”. Já os liberais democratas apostam que uma renegociação da adesão britânica irá causar incertezas e travar investimentos estrangeiros.

Pressão – Com o discurso desta quarta, Cameron tenta aliviar a pressão que vem sofrendo de parlamentares de seu próprio partido que desejam uma relação mais flexível entre a Grã-Bretanha e a União Europeia. Por outro lado, muitos ingleses consideram que o “ultimato” do premiê sobre a UE pode causar danos econômicos e diplomáticos para a Grã-Bretanha.

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Além de desagradar os líderes do bloco europeu, o pronunciamento de Cameron também não deve ser bem recebido por um dos principais aliados de Londres, os Estados Unidos, que já afirmaram que desejam a manutenção da Grã-Bretanha como uma “voz forte” dentro da UE.

(Com agência EFE)

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