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Paquistão não atacará reduto da rede Haqani

O Paquistão não executará uma ofensiva militar contra a rede talibã Haqani em seu reduto das zonas tribais do país, apesar do pedido de Washington, que considera o grupo seu principal inimigo no Afeganistão.

Estados Unidos e Paquistão são aliados na luta contra grupos armados islamitas presentes no Afeganistão, mas suas relações se complicaram ainda mais após um comando americano matar o então líder da Al-Qaeda, Osama Bin Laden, em território paquistanês em maio.

Assim, as autoridades americanas acusaram nos últimos dias o Paquistão de apoiar a rede Haqani, um braço insurgente afegão próximo à Al-Qaeda, e pediram que rompa os vínculos com ela.

Após as críticas americanas, o comandante do Estado-Maior do Exército paquistanês, general Ashfaq Kayani, convocou uma reunião no domingo com as principais figuras militares do país.

“Não acredito que as indicações sigam neste sentido”, declarou nesta segunda-feira uma fonte militar que pediu anonimato ao ser questionada sobre a possibilidade de uma ofensiva no Waziristão do Norte, principal retaguarda da rede Haqani no Paquistão.

O Exército deve “consolidar as conquistas” obtidas frente aos insurgentes islamitas em outras regiões das zonas tribais na fronteira com o Afeganistão, completou a mesma fonte. Washington considera estas zonas semiautônomas como o quartel-general da Al-Qaeda.

Diante das acusações dos Estados Unidos, o Paquistão ameaçou na sexta-feira romper a aliança entre os dois países se Washington persistir com a pressão. Mas o governo americano não recuou e repetiu que Islamabad deve romper os vínculos com a rede Haqani.

O governo dos Estados Unidos considera a Haqani responsável por vários ataques espetaculares recentes contra o governo afegão e seus aliados da Otan, incluindo o cometido contra a embaixada americana em Cabul há alguns dias.

A Haqani foi fundada nos anos 1980 por um comandante da resistência contra a URSS financiado pela CIA.

Desde o fim de 2001, o exército do Paquistão lançou diversas ofensivas nas zonas tribais, onde assegura ter perdido mais de 3.000 soldados.

Mas Washington, que envia bilhões de dólares ao Paquistão em ajuda militar, acusou Islamabad nestes últimos anos de jogo duplo, ao negar-se a atacar o principal bastião da Al-Qaeda e dos talibãs afegãos da rede Haqani.

A morte de Bin Laden no dia 2 de maio pelas mãos de um comando americano, que entrou clandestinamente no Paquistão com um helicóptero até a cidade de Abbottabad, aumentou as tensões entre os dois países.

O Paquistão criticou os Estados Unidos, que agiram sem avisar, enquanto representantes de alto escalão americanos acusam o exército paquistanês e seus poderosos serviços de inteligência (ISI) de ter escondido a presença de Bin Laden, ao mesmo tempo em que ameaçam cortar a ajuda econômica de um país à beira da falência.

Islamabad assegura que mais de 35.000 paquistaneses morreram desde o início das represálias dos insurgentes aliados à Al-Qaeda no fim de 2001, e estima que a onda de atentados que deixa o país em um banho de sangue é uma “guerra importada” pelos Estados Unidos desde que falharam na eliminação da rede no Afeganistão.