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Palestinos e israelenses encerram conversas sem avanços

Israel rejeitou proposta dos EUA para prorrogar durante moratória das construções na Cisjordânia

“Esperamos que a liderança israelense escolha a paz e não o assentamento”, afirmou o negociador chefe palestino

O enviado dos Estados Unidos ao Oriente Médio, George Mitchell, concluiu nesta sexta-feira as conversações diretas iniciadas no começo de setembro com líderes palestinos e israelenses. O término acontece sem um acordo sobre como manter as negociações de paz, atualmente suspensas em razão de uma disputa sobre a construção de assentamentos judaicos. “Os obstáculos permanecem. A nossa determinação continua”, afirmou o americano.

Mitchell disse que o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e o presidente palestino, Mahmoud Abbas, concordaram em manter o diálogo indireto. “Nosso esforço é fazer avançar esse processo em direção ao que todos compartilhamos como um objetivo comum: o estabelecimento de uma paz ampla no Oriente Médio”, disse.

No entanto, segundo o negociador chefe palestino, Saeb Erekat, a chave para as conversações diretas está nas mãos do primeiro-ministro israelense. “Esperamos que a liderança israelense escolha a paz e não o assentamento”, afirmou. Abbas ameaça se retirar das negociações caso Israel não estenda o congelamento de novas construções nas colônias, que expirou esta semana. Conforme afirmou o presidente, a decisão será tomada após a Liga Árabe discutir a questão.

Os palestinos afirmam que o crescimento dos assentamentos, em um território ocupado por Israel desde 1967, tornará impossível o estabelecimento de um Estado palestino na Cisjordânia e na Faixa de Gaza – objetivo declarado das conversações de paz. Cerca de 500.000 judeus vivem no território onde os palestinos pretendem estabelecer seu Estado, tendo Jerusalém Oriental como sua capital.

Netanyahu, por sua vez, afirma estar disposto a negociar, mas não recua quanto aos assentamentos e não cede à pressão internacional. Ele rejeitou uma proposta dos Estados Unidos para prorrogar durante 60 dias a moratória das construções na Cisjordânia em troca de incentivos políticos, militares e estratégicos, como a venda de avançados sistemas de mísseis e uma nova leva de aviões F-35.

Propostas – Segundo o Yedioth Ahronoth, periódico de maior tiragem em Israel, os Estados Unidos propuseram apoiar as ações das tropas israelenses no território ocupado do Vale do Jordão, inclusive após o estabelecimento de um estado palestino, a fim de impedir o contrabando de armas, reivindicação considerada crucial por Netanyahu para a segurança do seu país.

A proposta de Washington inclui também a conexão de Israel ao sistema de alarme antecipado americano por satélite, vital para prevenir qualquer ataque com mísseis balísticos. Há ainda promessas – não detalhadas – para impedir que o Irã produza armas nucleares. Obama também está disposto a aumentar sua assistência para impedir o contrabando de armas ao território palestino no futuro.

O jornal aponta que, como contrapartida à rejeição do pacote americano de incentivos, os Estados Unidos poderiam retirar seu veto na ONU para a criação unilateral de um Estado palestino.

(Com agências EFE e Reuters)