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Opositor com sinais de tortura entra em lista de procurados pela polícia

Depois de ficar oito dias desaparecido, Dmytro Bulatov disse ter sido sequestrado, espancado e crucificado. Ele está hospitalizado

Por Da Redação 31 jan 2014, 21h25

Funcionários do serviço médico de Kiev impediram que policiais interrogassem um dos mais ativos membros da oposição, que afirma ter sido sequestrado e torturado. Dmytro Bulatov está recebendo tratamento depois de ficar oito dias desaparecido. Ele alega ter sido “crucificado” pelos homens que o capturaram.

A polícia informou ter aberto uma investigação sobre o sequestro e disse que estava tentando questioná-lo sobre isso, segundo a rede BBC. O Ministério do Interior indicou que não descarta a possibilidade de o rapto ter sido uma farsa encenada com o objetivo de “provocar uma reação negativa na sociedade”.

Bulatov está em uma lista de procurados pela polícia. Para ativistas, a polícia foi ao hospital em Kiev para efetuar a prisão do opositor. Os policiais deixaram o hospital sem falar com Bulatov, mas alguns guardas permaneceram nas imediações. Manifestantes contrários ao governo do presidente Viktor Yanukovich também foram ao local para impedir a sua prisão.

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Pai de três filhos, Bulatov, de 35 anos, foi deixado em uma floresta nas proximidades de Kiev na quinta-feira. Ele faz parte do AutoMaidan, movimento que organiza carreatas contra o presidente. Disse ter sido duramente espancado. “Eles me crucificaram, cortaram minha orelha e fizeram cortes no meu rosto. Fui agredido em todo o corpo. Mas, graças a Deus, estou vivo”, declarou nesta sexta, de acordo com imagens das redes de televisão Kanal 5 e 1+1. Nas imagens, o rosto do manifestante aparece muito ferido, as mãos estão inchadas e a roupa, ensanguentada.

O opositor afirmou que não sabe quem o sequestrou, mas disse que eles perguntaram quem financiava as ações de protesto. Acrescentou que eles falavam com sotaque russo. Além dele, outros dois ativistas desapareceram em circunstâncias misteriosas no país, sendo que um deles foi encontrado morto.

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Reações – A Casa Branca manifestou sua “consternação com os indícios evidentes de torturas” infligidas a Bulatov. “Estamos profundamente preocupados com as notícias de manifestantes que desaparecem, que são espancados e torturados, e também com os ataques contra jornalistas. É especialmente preocupante que algumas dessas notícias sugerem o envolvimento das forças de segurança”, disse o porta-voz Jay Carney.

A chefe da diplomacia da União Europeia, Catherine Ashton, reuniu-se com lideranças da oposição nesta sexta e disse estar “alarmada pela violência e os casos de intimidação e tortura”. “Estou particularmente aterrorizada pelo tratamento cruel e tortura de Dmytro Bulatov e pelas notícias de que houve tentativas de prendê-lo quando ele estava na cama de um hospital”, disse, em comunicado. “Isso é totalmente inaceitável e deve parar imediatamente”. (Continue lendo o texto)

Líder do partido Udar, o ex-campeão mundial de boxe Vitali Klitschko classificou o ataque a Bulatov um “ato de intimidação contra todos os cidadãos”. Arseniy Yatsenyuk, líder do partido opositor Fatherland que recentemente recusou uma proposta do presidente para assumir o cargo de primeiro-ministro, disse que os manifestantes agora enfrentam “assassinatos, abusos, tortura e sequestros”.

A Anistia Internacional também se manifestou considerando o episódio “um ato bárbaro que precisa ser investigado imediatamente”.

Anistia – Os protestos na Ucrânia tiveram início em novembro, quando o presidente Yanukovych rejeitou um acordo que aproximava o país da União Europeia e preferiu receber ajuda financeira da Rússia. Em meados de janeiro, houve confrontos entre policiais e manifestantes, depois que o governo aprovou uma lei antiprotestos. Depois disso, ele já revogou a medida que restringia as manifestações, assinou uma lei de anistia aos opositores e aceitou a renúncia de seu gabinete, sem que a inquietação diminuísse nas ruas da capital.

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Exército – Frente ao caos instalado no país, o Exército urgiu o presidente a tomar “medidas urgentes que estejam dentro dos limites da atual legislação para estabilizar a situação no país e chegar a um consenso com a sociedade”. O Ministério da Defesa, depois de meses sem se manifestar, divulgou um comunicado nesta sexta condenando os manifestantes por ocuparem prédios públicos e impedirem as agências estatais e os governos locais de cumprirem suas obrigações. O texto afirma que qualquer piora no conflito “ameaça a integridade territorial do Estado”. Para o jornal The New York Times, o comunicado levanta o espectro de uma intervenção militar, embora não endosse qualquer participação das tropas na dispersão dos manifestantes.

(Com agência France-Presse)

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