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Oposição venezuelana denuncia golpe do governo para barrar posse de deputados

A aliança de oposição venezuelana Mesa da Unidade Democrática (MUD) denunciou nesta terça-feira que está em andamento um “golpe judicial” no país depois de a Corte Suprema de Justiça ter recebido um recurso apresentado pelo governo para barrar a posse de 22 deputados eleitos no último dia 6 de dezembro.

“A Mesa da Unidade Democrática, junto a seus três governadores, quis fixar posição pública diante do que classificamos como uma tentativa de golpe de estado judicial contra a vontade do povo expressada de maneira nítida, clara e pacífica no último dia 6 de dezembro”, disse o secretário-executivo da MUD, Jesus Torrealba.

O porta-voz da coalizão disse em entrevista coletiva que a Corte Suprema tinha anunciado que estava em férias entre 11 de dezembro até 7 de janeiro. Porém, de forma excepcional, abriu suas portas para receber o recurso apresentado pelo Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) contra 22 deputados da oposição.

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“É um recurso contencioso eleitoral, mas acompanhado por uma medida cautelar contra a posse de 22 deputados. Pedimos uma cópia, mas ocorreu uma contraordem da presidente da sala eleitoral da corte e não conseguimos obter o documento”, disse Torrealba. Ele afirmou que a MUD ainda desconhece quais são os deputados citados no recurso do PSUV porque essa foi “uma operação secreta, mascarada e suicida do governo”. “Se opondo à vontade do povo, eles estão perdendo o pouquinho que lhes restava de legitimidade”, acrescentou.

O porta-voz da MUD fez a denúncia acompanhado pelo duas vezes candidato presidencial e governador do estado de Miranda, Henrique Caprilles, e de outros líderes da oposição. O secretário-executivo da MUD disse que a coalizão já entrou em contato com a União de Nações Sul-Americanas (Unasul) e diretamente com o ex-presidente da República Dominicana Leonel Fernández, chefe da missão eleitoral do órgão no pleito de 6 de dezembro, quando a oposição obteve 112 cadeiras contra 55 do governo.

Torrealba lembrou que a Constituição da Venezuela estabelece que os novos deputados devem tomar posse no dia 5 de janeiro. Por isso, o recurso é uma “agressão direta ao texto constitucional”.

(Com EFE)