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Oposição terá de se renovar para enfrentar Maduro

Derrotado nas eleições de outubro, Henrique Caprilles, provável adversário do vice-presidente, terá de buscar união interna antes de se lançar à campanha

Por Da Redação - 6 mar 2013, 10h32

Com a morte de Hugo Chávez e o anúncio de novas eleições, a oposição volta a ter uma chance de assumir o poder na Venezuela. A tarefa não será fácil, uma vez que os opositores saíram da derrota na disputa presidencial do ano passado para um fraco desempenho nas eleições regionais de dezembro. No entanto, a campanha poderá marcar a renovação opositora no país para fazer frente a uma provável vitória de Nicolás Maduro.

Coube ao chanceler Elias Jaua anunciar na noite de terça-feira que Nicolás Maduro será o candidato do governo nas eleições. Confirmado na condição de candidato, o vice-presidente terá pela frente um período em que comandará o país oficialmente como interino. E terá todo o aparato do governo à disposição para superar quem for enfrentá-lo, além de possivelmente ser favorecido pelo clima de luto no país e o curto período até as eleições – previstas para serem realizadas em 30 dias. As primeiras declarações de autoridades do governo apontam para uma preocupação maior de manter as bandeiras de Chávez do que de garantir uma transição baseada no texto constitucional.

A oposição deverá mais uma vez apostar em Henrique Capriles, que duelou com o coronel na campanha presidencial do ano passado e impôs a ele a mais difícil disputa de seus 14 anos no poder. No final, o “militante centrista moderado e obstinado”, como descreveu a revista britânica The Economist, perdeu para Chávez, mas conseguiu reduzir a margem de vitória do coronel de 26 pontos percentuais em 2006 para 11 pontos em 2012. Capriles conquistou quase 6,5 milhões de votos, 44% do total. Em dezembro, foi reeleito governador do estado de Miranda, onde fica a capital Caracas.

O jornal britânico The Guardian, alerta, no entanto, que possíveis fissuras podem minar os esforços opositores. O diário afirma que a coalizão Mesa da União Democrática “pode rachar” sem o amálgama propiciado pela aversão a Chávez. “Uma tradição de traição e arrogância pode ressurgir se figuras como Henri Falcón, governador do estado de Lara, desafiar Capriles pela nomeação”.

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Governistas – O risco de ruptura, no entanto, também está presente entre os governistas, que unificaram o discurso durante a convalescência do coronel para tentar mostrar que Chávez ainda comandava o país. Sem a figura do mandatário, no entanto, a disputa entre Maduro e Diosdado Cabello, chefe da Assembleia Nacional e vice-presidente do partido governista, o PSUV, pode aflorar. Mesmo sem contar com o carisma do coronel, Maduro tem o apoio de ministros e dos irmãos Castro, que consideram o vice uma garantia de continuidade do financiamento venezuelano a Cuba.

Cabello não tem a mesma abertura que Maduro entre os Castro, mas tem melhor trânsito no setor militar. Além de mais experiência no Executivo, tendo, inclusive, ocupado a Presidência em 2002, quando Chávez sofreu um golpe de estado relâmpago nos dias 13 e 14 de abril. Sua primeira determinação como presidente interino foi enviar um grupo de elite para resgatar o presidente afastado na ilha de La Orchilla, ao norte de Caracas. Foi também ministro do Interior (2002), da Justiça (2003), da Infraestrutura (2003-2004) e governador do estado de Miranda, entre 2004 e 2008. Ao ser derrotado no estado pelo oposicionista Henrique Capriles, sua força no chavismo foi questionada, mas acabou nomeado para comandar o Ministério de Obras Públicas. Em 2010, elegeu-se deputado. A influência no governismo foi retomada com a vice-presidência do PSUV, em dezembro de 2011.

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No final, seja quem for o futuro presidente da Venezuela, comandará um país diferente, sem a figura centralizadora de Chávez e com enormes desafios políticos e econômicos a serem enfrentados. “Em regimes tão personalistas, no momento em que a pessoa que controla tudo é removida, toda a base se torna muita fraca porque não há mais nada para apoiá-la, além dessa figura”, disse Javier Corrales, professor de ciência política, ao jornal americano The New York Times.

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