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Oposição síria elege primeiro-ministro de governo interino

Ghassan Hitto, empresário do setor de tecnologia que tem cidadania americana, foi escolhido pela principal coalizão opositora ao regime de Bashar Assad

A Coalizão Nacional da oposição síria elegeu nesta segunda-feira, em Istambul, o empresário Ghassan Hitto como primeiro-ministro interino das áreas controladas pela rebelião. Ele foi eleito por líderes da oposição ao regime do ditador Bashra Assad em uma votação em Istambul, informou a coalizão.

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Na votação, Hitto recebeu 35 dos 49 votos e venceu outros 11 candidatos a dirigir o gabinete provisório para regiões que já se consideram livres do governo de Damasco. O próximo passo deve ser a eleição dos membros desse gabinete, que Hitto pretende formar com o objetivo inicial de coordenar serviços básicos nas áreas tomadas das forças de segurança do regime.

Nascido em 1963, em Damasco, Ghassan Hitto vive há anos nos Estados Unidos, onde trabalhou em várias empresas do setor tecnológico, e possui cidadania americana. Foi um dos fundadores da opositora Coalizão Síria Livre nos EUA e, desde 2011, é vice-presidente do grupo. Ele foi escolhido como candidato de consenso que satisfaz as correntes islâmica e liberal opositoras, mas nem todos os membros da coalizão participaram da votação, o que ilustra a persistência das divisões na oposição síria.

“É uma votação transparente, uma votação democrática”, declarou o presidente da coalizão, Ahmed Moaz Al Jatib, no momento em que os eleitores depositavam seus votos em uma urna transparente no salão de conferências do Hotel Istambul. Hitto chegou minutos após o final da votação e foi recebido sob aplausos. “Estamos com o povo sírio e se Deus quiser sairemos vitoriosos”, declarou o novo premiê interino à imprensa. “Vamos anunciar em breve o programa deste novo governo”.

Exército Livre – As reuniões para escolher um Executivo interino da oposição começaram nesta terça-feira na Turquia, após terem sido atrasadas diversas vezes nos últimos meses. AInda esta semana o grupo vai debater a relação que o governo provisório terá com a própria coalizão e que postura adotará em relação à atividade do Exército Livre Sírio, que reúne diversos grupos armados contrários ao regime de Assad.

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A Coalizão Nacional da oposição síria pretende ainda definir estratégias para conseguir que a Liga Árabe reconheça o Executivo interino como representante oficial da Síria. De fato, a Liga Árabe concordou, no último dia 6, em outorgar o assento correspondente à Síria à aliança opositora quando essa conseguisse formar um governo interino.

Desde novembro de 2011, a organização pan-árabe suspendeu a participação do regime de Assad em protesto contra o derramamento de sangue no país e o descumprimento do plano árabe para o fim da crise, que previa a renúncia de Assad e a formação de um governo provisório de coalizão.

Líbano – Horas antes da reunião da coalizão opositora, a aviação síria bombardeou nesta segunda-feira, pela primeira vez, a fronteira com o Líbano. A informação dada por fontes militares libanesas foi confirmada pelo Departamento de Estado americano.

“A aviação do regime bombardeou o norte do Líbano, atingindo Wadi al-Khayl, próximo da cidade fronteiriça de Arsal”, disse a porta-voz do departamento de Estado, Victoria Nuland, que considerou a ação como uma “escalada significativa na violação da soberania do Líbano, pela qual o regime sírio é responsável”.

Segundo um oficial dos serviços de segurança libaneses no terreno, a aviação síria lançou quatro mísseis contra uma área dominada pela rebelião em Arsal, território libanês perto da fronteira. Iniciado há dois anos, o conflito na Síria já deixou mais de 70.000 mortos no país e foi classificado pelo ONU como guerra civil.

(Com agências EFE e France-Presse)