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Oposição se prepara para eleições, mas teme manobra de Maduro

Coalizão diz que presos políticos vão se candidatar, mas líder opositor alerta que governo pode suspender processo eleitoral

Por Da Redação 4 mar 2015, 22h04

Diante da agravamento da crise política na Venezuela, a oposição se movimenta para as eleições parlamentares previstas para o fim deste ano, ao mesmo tempo em que teme uma manobra do governo para que não sejam realizadas. Uma das lideranças opositoras do país, o governador Henrique Capriles disse nesta quarta-feira que o governo de Nicolás Maduro é “capaz de qualquer coisa”, inclusive suspender a votação. Ele afirmou que o oficialismo está querendo amedrontar a população e advertiu que a ideia de suspender o pleito é uma bomba que o governo pode fazer explodir.

Em junho, os partidários do governo vão disputar primárias para eleger seus candidatos. A oposição fará a mesma coisa em maio. O secretário-executivo da Mesa da Unidade Democrática (MUD), Jesús Torrealba, informou que três opositores presos serão candidatos: o prefeito metropolitano de Caracas, Antonio Ledezma; Leopoldo López, líder do partido Vontade Popular, e o ex-prefeito de San Cristóbal Daniel Ceballos. Em entrevista ao site Notícias 24, ele disse ter recebido um comunicado assinado pelos detentos no qual afirmavam estar dispostos a colocar seus nomes a serviço do país no contexto do esforço que significam as eleições parlamentares.

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No entanto, a procuradora-geral Luisa Ortega avisou que López não poderá se candidatar por estar inabilitado até 2017. “Seria uma candidatura nula”, afirmou, segundo declaração reproduzida pelo venezuelano El Mundo. Sobre Ledezma, disse que “ele está sendo processado, mas não sei qual seria a situação quando ele for candidato”. López está encarcerado há mais de um ano em uma prisão militar, enquanto o prefeito de Caracas foi alvo da mais recente investida do chavismo contra a oposição, ao ser preso de forma arbitrária e truculenta em fevereiro.

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Apesar de ainda faltar alguns meses para o pleito, já há denúncias de irregularidades – uma constante nos processos eleitorais sob o chavismo. O vereador de Maracaibo e coordenador municipal do Vontade Popular, Eduardo Vale, acusou o Conselho Nacional Eleitoral de criar novos centros de votação de forma irregular e habilitar centros que não ficam em unidades de educação e portanto não contam com instalações idôneas para realizar uma jornada de votação, como imóveis pertencentes ao partido governista Psuv. “O CNE se tornou o alfaiate que está confeccionando a armadilha do Psuv para as eleições parlamentares”, disse Vale, em declaração reproduzida pelo El Universal.

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Golpe – Na semana passada, Maduro ameaçou opositores dizendo que não vai permitir que participem das eleições legislativas se estiverem envolvidos em atos de violência. “Que não duvidem. Não vão sair com sua cara lavada nas eleições para a Assembleia Nacional”.

Enquanto vê números cada vez mais desfavoráveis nas pesquisas, o governo insiste na tese de que a oposição prepara um golpe ao lado de inimigos externos. Com alarde, ele mostrou em um de seus programas uma gravação como suposta prova de um plano desbaratado pelo governo. No áudio, um homem identificado como Carlos Osuna Saraco dita o que seria, segundo o presidente, o discurso a ser lido por militares insurgentes durante ataques em Caracas. Maduro apresentou o “golpista” como amigo de Ledezma, disse que o homem mora em Nova York e que pedirá sua extradição ao governo americano.

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