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Operação para destruir armas químicas sírias está atrasada

Os agentes tóxicos deveriam ter sido transportados para navios escandinavos há três dias, mas continuam armazenados em 12 bases pelo país

A operação organizada para transportar as armas químicas do ditador sírio Bashar Assad para um navio no mar do Mediterrâneo, onde elas serão destruídas, está três dias atrasada, informou o jornal The Guardian. Segundo fontes ligadas à missão, os agentes tóxicos ainda estão armazenados em doze bases localizadas do país. Eles deveriam estar a caminho do porto de Latakia. Estima-se que 500 toneladas de material químico serão encaminhadas às embarcações. Depois da confirmação do adiamento, os navios deixaram a costa síria para retornar a Limassol, na costa do Chipre.

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O Guardian aponta que a operação administrada pela Organização para Proibição das Armas Químicas (Opaq) poderá sofrer um considerável revés se o transporte não ocorrer nos próximos dias. Tanto a Opaq quanto a ONU disseram que o prazo para carregar as embarcações antes do início de 2014 era muito ambicioso, uma vez que a guerra civil que assola o país impede a livre locomoção dos veículos que transportarão os agentes tóxicos até Latakia. Uma combinação do conflito com condições climáticas adversas, atrasos em garantir a segurança de estrangeiros e entraves burocráticos teria provocado mudança nos planos.

A ONU e a Opaq, no entanto, pontuaram que o prazo mais importante é o estipulado para o fim de março, quando a primeira parte das armas químicas deverá ser destruída. O arsenal químico do regime de Assad, incluindo gases sarin e agentes nervosos VX, será neutralizado dentro da embarcação americana Cape Ray, no meio do oceano. O processo de hidrólise usado nos gases tóxicos deverá ser concluído em até sessenta dias, o que obriga o governo sírio a abastecer os navios de Dinamarca e Noruega com o material químico até o fim de janeiro.

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Parte dos agentes tóxicos está estocada em tambores fornecidos pelos Estados Unidos. A Rússia ficou responsável por enviar caminhões blindados às doze bases sírias que abrigam o arsenal químico, mas não há informações sobre a chegada dos veículos aos locais. De acordo com o Guardian, caminhões americanos que transportariam equipamentos tecnológicos, como aparelhos de GPS, para ajudar no transporte do material químico, foram retidos na fronteira da Síria com a Jordânia. Aparentemente, a adversidade se deu por conta de questões burocráticas.

O regime de Assad comunicou à Opaq que demorará cerca de dezoito dias para transportar todo arsenal químico ao porto de Latakia. Caso a previsão esteja correta, os caminhões russos terão de deixar as suas respectivas localizações em até dez dias para que a primeira parte do material possa ser destruída no fim de março. A embarcação Cape Ray também está ancorada em Norfolk, na Virgínia, e levará ao menos quinze dias para chegar ao porto italiano onde será carregada com o material químico transportado pelos navios escandinavos. O Cape Ray, que conta com dois reatores de hidrólise e tanques para abrigar os gases neutralizados, deverá receber ajuda de uma embarcação da Grã-Bretanha para neutralizar as 150 primeiras toneladas do arsenal. A previsão da Opaq é de que a operação termine entre junho e julho deste ano.