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ONU rebaixa crescimento do PIB mundial em 2012 para 2,6%

Nações Unidas, 1 dez (EFE).- A economia mundial terá um crescimento ‘anêmico’ de 2,6% em 2012, abaixo dos 3,3% que a ONU previu há seis meses, segundo os dados divulgados nesta quinta-feira pela organização, que também reduziu para 3,2% seus cálculos para 2013.

‘Após dois anos de recuperação desigual da crise financeira, a economia mundial se encontra à beira de uma severa contração’, diz a primeira parte do relatório ‘Situação e Perspectivas da Economia Mundial em 2012’, apresentado nesta quinta na sede das Nações Unidas em Nova York.

O estudo mostra ‘um crescimento anêmico’ para 2012 e 2013, que está ‘longe de ser suficiente para lidar com a contínua crise de emprego vivida pela maioria das economias desenvolvidas e que afetará o crescimento dos países em desenvolvimento’.

Elaborada pelo Departamento de Análise de Assuntos Econômicos e Sociais da ONU, a pesquisa indica ainda que as previsões do Produto Interno Bruto (PIB) mundial para os próximos dois anos podem ser ‘otimistas demais’ se persistir a crise de dívida na Europa persistir e não for resolvida ‘a crise do desemprego’ nos dois lados do Atlântico.

‘O fracasso dos políticos, especialmente na Europa e nos Estados Unidos, para enfrentar a crise do desemprego e evitar a pressão da dívida soberana e a escalada da fragilidade do setor financeiro, representa o maior risco para o crescimento da economia mundial em 2012 e 2013’, ressalta o relatório.

Os economistas das Nações Unidas preveem um 2012 pouco agradável, no qual será preciso estar ciente da evolução da crise de dívida, do andamento do setor bancário e da demanda de emprego, assim como da ‘paralisia que causa a estagnação política e as deficiências institucionais’.

‘Todas essas fraquezas estão presentes, mas uma piora de qualquer uma delas pode provocar um círculo vicioso que leve a uma grave instabilidade financeira e a um arrefecimento econômico’, acrescenta o relatório.

‘A União Europeia (UE) e os EUA formam as duas maiores economias do mundo e estão profundamente conectadas. Seus problemas podem se propagar e se transformar em uma recessão global’, destacam os economistas da ONU.

Nos EUA, o crescimento do PIB será de 1,5% em 2012 e de 2% um ano depois, segundo a ONU, que alerta que a inanição pode ter graves consequências.

No caso da UE, a ONU projeta um crescimento do PIB de 0,7% para 2012 e de 1,7% em 2013, e salienta que economias tão grandes como as de França e Alemanha se encontram ‘perigosamente próximas de um arrefecimento’ e as periféricas de ‘uma recessão mais aguda’.

A ONU acredita igualmente que as medidas de austeridade fiscal iniciadas em muitos países também são parte do problema.

‘As duras medidas fiscais aplicadas em resposta a níveis de déficit fiscal e dívida pública relativamente altos estão debilitando o crescimento e as perspectivas de emprego’, destaca o relatório.

Segundo as Nações Unidas, a falta de crescimento das economias desenvolvidas tem efeito especial sobre as finanças de países emergentes ou em vias de desenvolvimento, que, no entanto, são definidas como ‘a força motriz da economia mundial’, já que seu PIB crescerá em média 5,4% em 2012 e 5,8% em 2013.

O relatório evidencia que o crescimento na China e na Índia se manterá ‘robusto’ apesar do descenso nos últimos anos: o PIB chinês avançará cerca de 9% nos dois próximos anos e o indiano entre 7,7% e 7,9% no mesmo período.

Chama a atenção, por outro lado, o enfraquecimento de Brasil e México na América Latina, com crescimentos estimados em 2,7% e 2,5%, respectivamente, para 2012.

Em relação ao emprego, o documento frisa que ‘se o crescimento econômico dos países em vias de desenvolvimento permanecer tão anêmico como está previsto’, os índices de desemprego não voltarão aos níveis anteriores à crise ‘até muito além de 2015’.

A ONU calcula que o índice de desemprego nos países desenvolvidos em 2011 ficou em 8,3%, muito acima dos 5,8% de 2007, e mais de 15 milhões de trabalhadores estão há mais de um ano sem emprego, enquanto nos países em vias de desenvolvimento a recuperação foi mais sólida, tanto na Ásia como na América Latina. EFE