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ONU: Guerra na Síria provocou mais de 191 mil mortes

Segundo as Nações Unidas, a atual estimativa é abaixo do número real de vítimas, já que foram computadas apenas as mortes documentadas

Por Da Redação 22 ago 2014, 11h43

Mais de 191.000 pessoas morreram desde o início da guerra na Síria, em 2011, o que significa mais do que o dobro do número divulgado há um ano, anunciou a Organização das Nações Unidas (ONU), que condenou a “paralisia internacional”, que estimula os “assassinos”. O Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos registrou 191.369 casos documentados de pessoas que morreram na Síria entre março de 2011 e o fim de abril de 2014, mais que o dobro dos 93.000 casos registrados há doze meses.

De acordo com a ONU, não há dúvida de que o cálculo de mais de 191.000 mortes é uma estimativa abaixo do número real de vítimas fatais. A Alta Comissária da ONU para os Direitos Humanos, Navi Pillay, considerou “escandaloso que, apesar dos enormes sofrimentos, a difícil situação dos feridos, deslocados, detidos e famílias de pessoas assassinadas não suscite mais atenção” para a comunidade internacional ajudar a encerrar o conflito.

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O terceiro balanço do Alto Comissariado foi elaborado com uma lista combinada de 318.910 mortes documentadas e das quais foram identificadas tanto o nome da vítima como o local e a data da morte. Para a realização, a ONU utilizou dados de cinco fontes diferentes: o governo sírio (até março de 2012), o Observatório Sírio dos Direito Humanos (até abril de 2013), o Centro Sírio para as Estatísticas e a Pesquisa, a Rede Síria dos Direitos Humanos e o Centro de Documentação de Violações. “Mas um número significativo de mortes pode não ter sido sequer informado por nenhuma das cinco fontes”, destaca.

Pillay reiterou que existem “sérias alegações de que foram cometidos crimes de guerra e contra a humanidade em repetidas ocasiões com total impunidade”. Lamentou que o Conselho de Segurança não tenha conseguido levar este caso ao Tribunal Penal Internacional, “onde claramente deveria estar”. “É uma verdadeira denúncia da época em que vivemos, não apenas que tenha sido permitido que esta situação dure tanto tempo, sem que se vislumbre um fim, mas também que agora está tendo um impacto horrível em centenas de milhares de pessoas do outro lado da fronteira, no norte do Iraque, e que a violência também tenha chegado ao Líbano”, lamentou Pillay.

Conflitos – Pelo menos setenta membros do Estado Islâmico (EI) morreram nas últimas 48 horas durante as tentativas de tomar o aeroporto militar de Al Tabaqa, último bastião do regime sírio na província de Al Raqqah, no norte do país, informou nesta sexta-feira o Observatório Sírio de Direitos Humanos. Dezenas de membros do grupo radical ficaram feridos durante os enfrentamentos com as forças sírias, e alguns deles estão em estado grave. Os combatentes do EI lançaram no início desta semana uma operação para controlar o aeroporto de Al Tabaqa, e para conter esta ofensiva, a aviação do governo bombardeou posições dos extremistas, inclusive com barris explosivos e mísseis Scud.

Enquanto os jihadistas afirmaram ontem ter tido grandes progressos nesses choques, uma fonte militar síria declarou à agência oficial Sana que suas tropas mantêm o controle do aeroporto e avançaram para localidades próximas, como Ayil. A organização extremista sunita EI proclamou no final de junho um califado em parte do território do Iraque e da Síria que estão sob seu controle. Em suas fileiras lutam cerca de 12.000 combatentes estrangeiros, apontam especialistas. A maioria dos jihadistas estrangeiros que foram para a Síria nestes três anos e meio de conflito vem, principalmente, da Tunísia, Arábia Saudita e Marrocos, mas também de países ocidentais – cerca de 20%.

Três anos após o início da guerra civil da Síria, não há indicações de que o conflito esteja próximo do fim. Os esforços para promover um diálogo entre representantes do regime do ditador Bashar Assad e da oposição não apresentaram avanços até agora. Os protestos contra o regime para tirar Assad do poder se transformaram em uma violenta guerra civil sectária que dividiu ainda mais o país. A oposição síria moderada perdeu espaço com o avanço de diversos grupos extremistas, sendo o Estado Islâmico o mais poderoso deles.

(Com agências EFE e France-Presse)

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