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Ocupação do Afeganistão completa 10 anos

Por Por Katherine Haddon - 6 out 2011, 16h00

A ocupação do Afeganistão por uma força internacional completa dez anos e essa ação, que custou bilhões de dólares, não conseguiu pôr fim à insurgência talibã no país, onde a guerra mata cada vez mais e aumenta o descontentamento com o governo e seus aliados internacionais.

As perspectivas de paz ficaram mais distantes quando Estados Unidos e Otan iniciaram a retirada progressiva de suas tropas, processo que deve terminar no final de 2014, no momento em que os insurgentes islamitas intensificam suas ações de guerrilha e se recusam a negociar.

No dia 7 de outubro de 2001, os Estados Unidos, sob o impacto dos atentados de Nova York e Washington no mês anterior, e seu aliado britânico lançaram uma ofensiva contra o regime dos talibãs e seus convidados da Al-Qaeda.

A rápida queda do regime fundamentalista foi saudada com euforia pela população cansada do controle brutal, que isolou e empobreceu um país já na miséria.

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Dez anos depois, apesar da modernização de parte da capital Cabul, a maioria afegã considera que os 140.000 soldados da força da Otan, comandados pelos Estados Unidos, são invasores e não cumpriram suas promessas de paz e prosperidade.

A lua de mel dos primeiros anos entre o presidente Hamid Karzai e seus aliados ocidentais deu lugar a uma coexistência tensa e desconfiada. Harzai denuncia as vítimas civis das operações da Otan, enquanto os ocidentais criticam a corrupção e a incompetência de seu governo.

Para muitos especialistas, a coalizão, e em particular os Estados Unidos, pecaram por excesso de confiança logo nos primeiros anos depois de 2001.

Os talibãs ganharam terreno a partir de 2005, e levaram Cabul e seus aliados a um novo conflito sangrento, depois da insurreição contra os soviéticos nos anos de 1980 e da guerra civil que resultou na tomada do poder pelo Taliban em 1996.

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Alguns avanços notáveis são per principalmente em matéria de educação, acesso a saúde e desenvolvimento do comércio nas cidades.

Contudo, Karzai não controla nada mais nada além de Cabul e o país segue totalmente nas mãos de líderes locais ou de insurgentes.

A má administração de bilhões de dólares ocidentais gastos no país (somente os Estados Unidos gastaram 444 bilhões de dólares), e que em parte desapareceram na corrupção, contribuiu com a fragilidade do Estado.

Os atos de violência se intensificaram a partir de 2007 e a cada ano mata mais soldados estrangeiros e civis. Segundo um estudo da universidade americana Brown, desde o dia 7 de outubro de 2001, a guerra deixou 33.877 mortos entre civis, insurgentes, soldados afegãos e estrangeiros.

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De acordo com a ONU, a violência ligada ao conflito aumentou 40% nos oito primeiros meses de 2011 em relação ao mesmo período de 2010.

No ocidente, a opinião pública é, em sua maioria, contra a manutenção de soldados em um “atoleiro” custoso e mortal.

Por isso, em julho de 2011 Washington e a Otan iniciaram uma retirada progressiva de suas unidades militares e que deverá terminar no final de 2014, data em que as frágeis forças afegãs deveram garantir sozinhas a segurança do país, um desafio enorme segundo especialistas e diplomatas.

A Otan está treinando milhares de novos recrutas do Exército, além da polícia afegã, para reforçar suas tropas até 2014. Mas estas instituições estão apodrecidas pela falta de motivação, pela corrupção, pelas deserções, pelos abandonos e pela cumplicidade interna que em alguns ataques dos talibãs são perceptíveis e frequentes.

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Alguns líderes americanos evocaram a possibilidade de manter bases militares permanentes depois de 2014, em um país estratégico que faz fronteira tanto com o difícil aliado Paquistão quanto com o inimigo Irã.

Os Estados Unidos também convocaram indiretamente o Talibã a negociar a paz com Cabul. Porém, os insurgentes, em posição favorável, não têm interesse em conversar neste momento, afirmam especialistas.

O recente assassinato do ex-presidente tadjique Burhanudin Rabani, encarregado de negociar com os talibãs, que são pashtun, aumentou as tensões étnicas.

“A probabilidade de uma futura guerra civil (depois de 2014) cresceu nos últimos anos”, acredita Shashank Joshi, analista do instituto britânico Royal United Services. E com o assassinato de Rabani “é ainda maior”, afirma o pesquisador.

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