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Obama quer mais sanções contra escalada russa na Ucrânia

Presidente dos EUA falou com Angela Merkel e pediu apoio para sua iniciativa. Rússia afirma que sentimentos anti-Moscou ameaçam estabilidade na Europa

Por Da Redação - 11 abr 2014, 08h07

O presidente americano, Barack Obama, disse a chanceler alemã, Angela Merkel, nesta quinta-feira, que os Estados Unidos e seus aliados devem preparar novas sanções contra a Rússia, se houver uma escalada na crise com a Ucrânia. “O presidente ressaltou a necessidade de que Estados Unidos, União Europeia (UE) e outros sócios globais se preparem para enfrentar outra escalada russa com sanções adicionais”, anunciou a Casa Branca.

Separatistas pró-russos no leste da Ucrânia, “aparentemente com o apoio de Moscou, continuam com uma campanha orquestrada de incitação e sabotagem para erodir e desestabilizar a Ucrânia”, acrescentou. “Os líderes pediram novamente à Rússia que retire suas tropas da região fronteiriça”, destacou o comunicado.

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Um pouco antes, em paralelo às reuniões do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional (FMI) em Washington, o secretário do Tesouro americano, Jacob Lew, lançou a mesma advertência ao ministro russo das Finanças, Anton Siluanov, aumentando a pressão sobre Moscou.

Yanukovich – O governo da Rússia deixou claro nesta sexta-feira que não extraditará à Ucrânia o presidente deposto Viktor Yanukovich, que teve uma ordem de busca e captura expedida em seu país, mas segue refugiado em território russo. “Não vemos fundamentos para sua entrega”, afirmou em entrevista coletiva o procurador-geral russo, Yuri Chaika, que reiterou que, para as autoridades russas, “Yanukovich é o presidente legítimo da Ucrânia”. De acordo com Chaika, “Yanukovich não cometeu nenhum crime”, enquanto “as autoridades que hoje estão em Kiev chegaram ao poder através de um golpe armado”.

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“Temos muitas perguntas às novas autoridades da Ucrânia”, completou Chaika, acrescentando que, “se uma série de crimes foi cometida, é preciso investigar”. Na última semana, a Ucrânia acusou Yanukovich e os serviços secretos russos de estarem por trás do assassinato de mais de 100 de manifestantes na Praça Maidan, base dos protestos antigovernamentais registrados em fevereiro em Kiev.

Estabilidade ameaçada – O ministro russo das Relações Exteriores, Serguei Lavrov, afirmou nesta sexta-feira que a estabilidade europeia está ameaçada pelos sentimentos anti-Moscou provocados pela situação na Ucrânia. “A atual incitação a sentimentos anti-Rússia coincide com o aumento do racismo e da xenofobia em muitos países europeus, o aumento do número de grupos radicais e o fechar de olhos para o fenômeno do neonazismo, na Ucrânia e em outros lugares”, disse Lavrov, segundo a agência de notícias russa RIA Novosti. (Continue lendo o texto)

Crimeia – O Parlamento da Crimeia aprovou nesta sexta-feira a nova Constituição da república anexada por Moscou no dia 21 de janeiro que estipula que a península faz parte da Rússia, informaram as agências russas. O documento obteve a aprovação unânime dos 88 deputados que se registraram para a votação na sessão parlamentar, do total de 100 que fazem parte da câmara. Segundo a nova Constituição, o líder da república será eleito pelos deputados do parlamento para um mandato de cinco anos e terá o poder de formar, e também de dissolver, o governo e o Parlamento, nos casos estipulados pela Legislação federal russa.

O chefe da república também poderá ocupar o cargo de chefe do Conselho de Ministros. Além disso, o número dos deputados será reduzido de 100 para 75, mas essa legislação entrará em vigor apenas depois das eleições parlamentares programadas para setembro. No entanto, ainda não foi determinado como será o procedimento das eleições, já que a lei que determinará as regras do pleito ainda não foi aprovada. A partir de agora, o Parlamento da Crimeia também poderá apresentar suas iniciativas na Duma da Rússia, a câmara dos deputados do país. A imprensa russa informou que o Parlamento da república autônoma terá que votar cerca de 300 leis para se adaptar aos padrões legislativos russos.

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(Com agências France-Presse e EFE)

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