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Obama e Bush deixam rancor de lado para apresentar retrato do ex-presidente

Damià S. Bonmatí.

Washington, 31 mai (EFE).- O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, abandonou nesta quinta-feira, por um dia, as críticas a seu antecessor, George W. Bush, no reencontro dos dois na Casa Branca para apresentar, entre brincadeiras e emoção, o retrato oficial do ex-presidente republicano.

Obama elogiou o resgate bancário da Administração Bush em 2008 e sua política de segurança nacional, em um ato pouco habitual ao reunir três dos cinco presidentes americanos vivos: o atual, seu antecessor e o presidente George Bush pai.

‘Após três anos e meio no cargo e mais cabelos brancos, entendo melhor os desafios enfrentados pelos presidentes anteriores, incluindo meu antecessor imediato, o presidente Bush’, disse Obama, que costuma criticar com veemência o governo Bush, que deixou uma enorme dívida, além das guerras do Iraque e do Afeganistão inacabadas.

O atual presidente, habitualmente reticente à política econômica que o precedeu, disse que a equipe de Bush, a poucos meses das eleições, entendeu que ‘resgatar a economia não é apenas um problema democrata ou republicano, mas uma prioridade americana. Sempre estarei agradecido por isso’, afirmou.

Obama também citou a segurança nacional desenvolvida pela administração Bush após os atentados de 11 de setembro de 2011, e destacou que os republicanos contribuíram para a perseguição e morte de Osama bin Laden.

Entre risos, o atual chefe do governo americano se dirigiu ao ex-presidente como ‘George’ e o agradeceu por ter contratado ‘um pacote de canais esportivos muito bons’ para a Casa Branca.

Também com bom humor, George W. Bush disse, após o jantar a portas fechadas, estar ‘admirado’ com a hospitalidade dos Obama: ‘Obrigado por dar comida à família Bush, aos quatorze membros que estão aqui’.

Segundo Bush, acrescentar seu retrato à Casa Branca dá à residência presidencial ‘uma interessante simetria porque a coleção agora começa e termina com um George W.’, brincou em referência ao primeiro presidente, George Washington, e a ele mesmo.

‘Também fico satisfeito, senhor presidente, porque quando o senhor estiver passando por estes corredores e pensando sobre como lidar com decisões difíceis, poderá olhar para minha imagem e perguntar: O que posso fazer George?’.

O ex-presidente quase foi às lágrimas ao pedir um aplauso para seu pai, o também ex-mandatário George Bush (que governou os EUA entre 1989 e 1993), e ao garantir que a melhor primeira-dama da história foi Laura Bush, sua esposa. ‘Desculpe, mãe – disse à ex-primeira dama Barbara Bush. Você concordaria com um empate?’.

Os retratos de George W. Bush e sua esposa, obra do artista John Howard Sanden, foram apresentados na Ala Leste da Casa Branca, que habitualmente recebe os eventos preferidos do presidente, embora desta vez tenha encontrado um ambiente mais hostil.

A sala estava cheia de parentes e amigos de George W. Bush, além de membros dos dois mandatos do republicano, como o ex-secretário de Estado, Colin Powell, e o ex-secretario de Defesa, Donald Rumsfeld.

Esta não foi a primeira vez que Bush visitou a Casa Branca em um governo democrata. Em janeiro de 2010, Bush participou de uma cerimônia de arrecadação de fundos para as vítimas do terremoto no Haiti no Jardim da Casa Branca, com o presidente Obama de anfitrião.

Da mesma forma, o atual líder democrata participou no ano passado, em Nova York, da cerimônia que lembrou o décimo aniversário dos atentados de 11 de setembro de 2001, junto a George W. Bush, que era o presidente do país no dia dos ataques terroristas.

Durante o atual mandato, Obama e Bush conversaram pelo menos três vezes por telefone, inclusive na noite da morte de Osama bin Laden.

Apesar disso, George W. Bush se manteve afastado da política depois de deixar o cargo, sendo um dos ex-presidentes menos ativos publicamente da história e mostrando um tímido apoio ao candidato republicano Mitt Romney. EFE