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Obama: ‘Difícil imaginar fim da guerra com Assad no poder’

Em entrevista ao canal espanhol Telemundo, presidente americano afirmou que solução para o conflito civil vai exigir a saída do ditador e uma transição política

Por Da Redação 17 set 2013, 22h38

O presidente Barack Obama disse nesta terça-feira que, mesmo com um acordo sobre o arsenal químico da Síria, a solução para a crise vai exigir uma transição política e a saída do ditador Bashar Assad do poder. “É muito difícil imaginar a guerra civil caminhando para o fim com Assad ainda no poder”, disse Obama em entrevista ao canal espanhol Telemundo.

“Não acho que ninguém na comunidade mundial deveria aceitar que alguém que mata dezenas de milhares de seu próprio povo, incluindo crianças, mulheres e civis indefesos, é o governador preferível de qualquer país”, afirmou o presidente.

Sobre o relatório dos investigadores da ONU que confirmou o uso de armas químicas no ataque de 21 de agosto, que deixou mais de 1.400 mortos, segundo a Casa Branca, Obama considerou que o documento “mudou a opinião internacional sobre o assunto”. Os Estados Unidos culpam o regime Assad pelo massacre, mas os inspetores das Nações Unidas não responsabilizaram nenhum dos lados do conflito pelo ataque.

Obama disse que o acordo para destruir o arsenal químico sírio é “o primeiro passo”. Depois, acrescentou, será necessário mobilizar todas as partes envolvidas na crise, incluindo países como a Rússia, que apoiam o regime sírio, e dizer: “Precisamos acabar com isso”.

Diplomatas dos Estados Unidos, Rússia, Grã-Bretanha, França e China iniciaram as negociações sobre uma resolução relacionada à destruição das armas químicas, com base no acordo estabelecido entre russos e americanos no fim de semana. O principal ponto de atrito entre os membros permanentes da ONU é se a resolução deixará um caminho aberto para o uso da força, em caso de não cumprimento das obrigações pela Síria. A Rússia insiste que esta possibilidade não seja incluída no documento.

Enquanto a Rússia afirma que o relatório não trouxe nenhuma prova de que as tropas sírias realizaram o ataque – e que, desta forma, a Rússia ainda suspeita que o massacre foi obra dos rebeldes – países como EUA e França afirmam que o documento não deixou dúvidas de que o ataque foi realizado pelo regime.

O governo chinês, por sua vez, disse que vai analisar com cuidado o relatório. “A China considera de grande importância o conteúdo do relatório”, disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Hong Lei. “Ao mesmo tempo, nós defendemos de forma consistente que uma investigação relevante deve ser realizada pelos inspetores da ONU de forma imparcial, objetiva e profissional”.

Aliada da Síria, a China reafirmou sua posição de que qualquer solução para o conflito deve ter o aval da ONU. O governo chinês condena o uso de armas químicas, mas adverte que é preciso evitar pré-julgamentos sobre o resultado das investigações realizadas pela equipe da ONU, afirmou o jornal The New York Times. Rússia e China vetaram tentativas prévias do Conselho de Segurança de aprovar sanções contra Assad.

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‘Caras maus’ – Israel também se manifestou sobre o conflito na Síria, defendendo a saída de Assad, mesmo com o risco de rebeldes ligados à rede terrorista Al Qaeda ou grupos jihadistas tomarem o poder no país. Michael Oren, embaixador de Israel nos Estados Unidos, disse que até mesmo a derrota do ditador por extremistas seria melhor do que a atual aliança entre a Síria e o Irã, inimigo de Israel. “Sempre quisemos que Bashar Assad saísse, sempre preferimos os caras maus, que não são apoiados pelo Irã do que os caras maus que têm o apoio do Irã”, afirmou, em entrevista ao jornal Jerusalem Post.

Um integrante do gabinete do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, no entanto, esclareceu que a posição de Israel não mudou e que o país não interfere no conflito interno sírio, afirmou o NYT. O premiê tem sido cuidadoso ao insistir que Israel não interviria no conflito, a não ser para proteger seus próprios interesses.

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Assad, membro da minoria alauita, conta com o apoio externo dos xiitas do Irã e do Hezbollah, do Líbano. Do lado rebelde, de maioria sunita, há terroristas da Al Qaeda e extremistas salafistas. Uma intervenção no intrincado conflito exigiria que os Estados Unidos optassem por um lado, mas qualquer uma das alternativas seria ruim para os EUA.

Ataque – Nesta terça, um carro-bomba explodiu do lado sírio da fronteira com a Turquia, deixando ao menos sete mortos e vinte feridos, informou o jornal britânico The Guardian. As vítimas eram civis que aguardavam para cruzar a fronteira, segundo ativistas. Nenhum grupo assumiu a responsabilidade pelo atentado. A explosão em Bab al-Hawa ocorreu um dia depois de as forças turcas derrubarem um helicóptero sírio que entrou no espaço aéreo da Turquia. O Exército sírio acusou o governo turco, que apoia a saída de Assad do poder, de tentar piorar a tensão na fronteira.

(Com agência Reuters)

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