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O saldo da expropriação de Maduro: 19 cidades sem alimentos e 2.000 desempregados

Um dos centros de distribuição ocupados movimenta 2.000 toneladas de alimentos e 6 milhões de litros de bebidas por mês, atendendo 10.000 estabelecimentos comerciais

A expropriação cometida pelo governo de Nicolás Maduro contra depósitos de companhias de alimentos afeta a distribuição em quase vinte municípios e pode deixar mais de 2.000 desempregados, reporta o jornal venezuelano Tal Cual. De acordo com um comunicado da empresa Polar, a maior companhia de bens alimentícios do país e uma das que tiveram seus armazéns invadidos, ao menos dezenove cidades da região metropolitana de Caracas e dos Estados de Vargas e Miranda já foram afetadas pela interrupção dos serviços de distribuição.

Além da Polar, outras empresas, como as multinacionais Nestlé, Cargill e PepsiCo, também tiveram suas instalações, localizadas num bairro pobre no oeste de Caracas, invadidas pela guarda nacional bolivariana nesta quinta-feira. “Nestas instalações, 477 funcionários da PepsiCo e 138 da Polar foram impedidos de trabalhar nesta quinta. Além disso cerca de 1.400 empregos indiretos nas empresas prestadoras de serviço e de transporte estão ameaçados”, disse o diretor da empresa Polar, Manuel Felipe Larrazabal. “Este é o nosso principal centro de distribuição, de onde movimentamos 12.000 toneladas de alimentos e 6 milhões de litros de bebidas por mês, atendendo quase 10.000 estabelecimentos comerciais”, disse Larrazabal.

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A ação do governo mobilizou imediatamente os trabalhadores dos centros de distribuição, que começaram a se organizar para defender seus empregos e reivindicar o direito ao trabalho. Cerca de 50 funcionários, muitos chavistas, protestaram nesta quinta dentro do complexo de distribuição ocupado, “Se nós não trabalhamos, nós não comemos”, disse Carlos Muñoz, motorista de caminhão, de 43 anos, um funcionário terceirizado da Polar. Ele transporta comida e bebida do armazém para lojas e distribuidoras. “Não há comida na Venezuela e agora eles fazem isso! Como as pessoas vão comer?”, completou.

Diante de uma crise muito grave, com inflação fora de controle e desabastecimento de produtos básicos, Maduro reiteradamente tem acusado companhias privadas de promoverem uma “guerra econômica” contra seu governo. A medida desapropriação do governo venezuelano é justificada por um decreto presidencial publicado no Diário Oficial em 2012 pelo presidente Hugo Chávez (1999-2013), que libera o uso de propriedade privada para o programa de construção de habitações sociais.

“Pedimos que esta medida seja reconsiderada, uma vez que estes são centros de trabalho muito ativos, onde o serviço é prestado para abastecer a capital e Estados vizinhos. Nós não nos opomos à construção de casas, que são tão necessárias, mas nós queremos saber por que a medida afeta instalações industriais ativas”, disse Larrazabal.

(Da redação)