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O.Médio critica veto de Rússia e China a projeto de resolução sobre Síria

Por Da Redação - 5 fev 2012, 10h46

Juan Palop.

Munique (Alemanha), 5 fev (EFE).- O Oriente Médio criticou com veemência neste domingo a Rússia e a China por vetarem o projeto de resolução do Conselho de Segurança da ONU que condenaria a repressão do regime sírio, durante o último dia da Conferência de Segurança de Munique (MSC, na sigla em inglês), dedicada neste ano à Primavera Árabe.

Representantes do Iêmen, Catar, Turquia, Tunísia e Egito – em sua maioria primeiros-ministros e ministros das Relações Exteriores – condenaram Moscou e Pequim por usarem seu poder de veto na votação do projeto neste sábado. Os líderes reunidos em Munique (Alemanha) atribuíram parte da culpa pelos massacres do regime sírio aos governos de Rússia e China.

A jornalista iemenita Tawakel Karman, Prêmio Nobel da Paz de 2011, abriu a sessão deste domingo ovacionada pelo público ao acusar russos e chineses pela ‘responsabilidade moral e humana’ dos ‘massacres diários’ na Síria – que já deixaram milhares de mortos desde março do ano passado – e de terem ‘respaldado vergonhosamente’ o ‘regime criminoso’ de Bashar al-Assad.

O ministro das Relações Exteriores da Turquia, Ahmet Davutoglu, argumentou que Rússia e China não votaram no sábado com base nas realidades atuais, mas segundo a lógica da Guerra Fria.

Ele destacou que as mudanças políticas que envolvem o Oriente Médio desde o ano passado se devem em grande medida ao fato de que ainda prevalecem ‘regimes arcaicos’ na região. ‘Agora é tempo para mudanças. As estruturas da Guerra Fria serão eliminadas ou transformadas. Não queremos duas frentes em nossa região’.

O primeiro-ministro da Tunísia, Hammadi Jebali, afirmou que Rússia e China fizeram um mau uso de seu poder de veto no Conselho de Segurança da ONU. Em sua opinião, o órgão deveria passar por reformas para poder realizar suas funções.

Khalid bin Mohammed Al-Attiyah, ministro das Relações Exteriores do Catar, somou-se às vozes críticas às posturas de Moscou e Pequim, que, após sinalizarem que aceitariam a proposta da Liga Árabe, vetaram o projeto de resolução no Conselho.

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Ele explicou que o texto votado tinha sido modificado para ‘satisfazer seus egos’ – que não queriam justificar uma intervenção militar nem uma derrocada violenta do regime -, mas não quiseram respaldá-lo.

‘Ontem foi um dia triste’, declarou Attiyah, após considerar fundamental que a solução ao conflito sírio seja uma proposta árabe.

Apesar do revés na ONU, a iemenita Tawakel pediu à comunidade internacional que não poupe esforços para proteger o povo sírio e sugeriu a expulsão dos embaixadores sírios de seus países e a retirada das legações diplomáticas de Damasco, proposta apoiada por Jebali.

Além disso, a Nobel da Paz solicitou o apoio da comunidade internacional para promover democracia e justiça no Oriente Médio, reduzindo assim a instabilidade e a insegurança na região.

Sobre o programa nuclear iraniano, todos os participantes ressaltaram que a intervenção militar é a pior opção e defenderam o redobramento dos esforços negociadores.

Attiyah afirmou que um ataque procedente do exterior não é a solução e que um embargo só pioraria a situação. Por isso, pediu um ‘diálogo sério’ que ponha fim à escalada das tensões.

Davutoglu disse que uma intervenção externa seria a pior opção, porque, em sua opinião, criaria um ‘desastre na região’. Mas ele também lembrou que as sanções contra Teerã não surtiram efeito até o momento.

Por último, o ministro das Relações Exteriores egípcio, Mohamed Kamel Amr, aproveitou seu discurso para se mostrar otimista em relação ao futuro pós-revolucionário de seu país, apesar dos recentes incidentes. ‘O Egito se aproxima de um período promissor. Os que conseguiram derrubar o regime há um ano erguerão o novo sistema’.

A Conferência de Segurança de Munique, uma iniciativa privada com 48 anos de história, reuniu neste ano, entre outros, a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, o presidente do Banco Mundial, Robert Zoellick, o primeiro-ministro da Itália, Mario Monti, e os ministros das Relações Exteriores Alain Juppé (França), Guido Westerwelle (Alemanha), Sergei Lavrov (Rússia) e José Manuel García-Margallo (Espanha). EFE

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