Clique e Assine a partir de R$ 19,90/mês

O inferno emerge nas Ilhas Canárias

No domingo 19, o Monte Cumbre Vieja entrou em erupção, lançando ao ar colunas de lava, gases e cinzas

Por Alessandro Giannini Atualizado em 25 set 2021, 13h15 - Publicado em 25 set 2021, 08h00

Tudo começou com uma série de pequenos tremores ao sul da ilha de La Palma, no Arquipélago das Canárias, território espanhol que fica a noroeste da costa africana. Depois de identificar que se tratava de um alerta sísmico, as autoridades locais e a comunidade se prepararam para o pior. A pequena população ao redor do Parque Nacional Cumbre Vieja, que abriga o vulcão de mesmo nome, foi evacuada preventivamente, deixando para trás casas e carregando apenas o indispensável. Parte da fauna que habita a região também foi protegida. No domingo 19, o Monte Cumbre Vieja entrou em erupção, lançando ao ar colunas de lava, gases e cinzas. Foi a primeira vez que se registrou atividade vulcânica na ilha desde a erupção do Teneguía, em 1971 — e por isso não se sabia ao certo qual seria a dimensão dos estragos. Havia preocupação de que a atividade vulcânica pudesse provocar tsunamis na costa brasileira, mas a possibilidade, felizmente, acabaria sendo descartada. Em La Palma, no entanto, o inferno que emergiu do subterrâneo está longe de terminar. Rios de lava com mais de 10 metros de altura avançaram lentamente sobre pequenos vilarejos, a cerca de 120 metros por hora, com fumaça tóxica sendo expelida ao contato com a superfície. O produto desse fluxo incontrolável é o rastro de destruição que, até a quarta-feira 22, não havia feito vítimas. Enquanto isso, equipes de socorro abriam valas para tentar desviar o fluxo de rocha derretida e os ilhéus se esforçavam para salvar o que podiam antes que seus lares fossem engolidos para sempre.

Publicado em VEJA de 29 de setembro de 2021, edição nº 2757

Publicidade