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Novos confrontos em Hong Kong terminam com 45 presos

Forças de segurança usaram spray de pimenta e cassetetes para dispersar os manifestantes que armaram barricadas em ruas do centro econômico da cidade

Centenas de manifestantes pró-democracia entraram em confronto com a polícia na manhã desta quarta-feira em Hong Kong. O tumulto aconteceu quando as forças de segurança tentaram remover barricadas recém-instaladas em uma importante avenida próxima à sede do governo local. Em um dos confrontos mais intensos desde o início da chamada “revolução dos guarda-chuvas”, policiais usaram spray de pimenta e cassetetes para dispersar os manifestantes em um enfrentamento que deixou feridos dos dois lados. Imagens de televisão mostraram agredindo estudantes caídos. Ao final do confronto, 45 ativistas foram presos e a avenida foi liberada.

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Liderados por estudantes e pelo movimento Occupy Central, os protestos em Hong Kong estão em sua terceira semana e pedem eleições livres na região, sem a necessidade de candidatos autorizados pela China como no modelo atual, e a renúncia do chefe do Executivo local Leung Chun-ying, considerado pelos ativistas um “fantoche” de Pequim. A China rejeita as reivindicações, temendo um eventual efeito dominó em outras regiões rebeldes do país.

Nos últimos dias, a polícia de Hong Kong removeu diversos bloqueios dos manifestantes em uma operação para liberar o tráfego no centro econômico da cidade. O confronto desta terça, o mais grave desde o começo dessa estratégia, aconteceu depois que os ativistas construíram uma nova barricada logo após a política ter desbloqueado uma rua. “Decidimos tomar esta avenida em represália”, declarou Jeff Wong, 30 anos. “O governo se recusa a falar com a gente, então, vamos continuar ocupando as ruas até que tenhamos um verdadeiro diálogo”.

Os manifestantes colocaram barreiras metálicas, bloqueando o tráfego de veículos na avenida que margeia vários prédios públicos, até a intervenção da polícia de choque. De acordo com o jornal South China Morning Post, alguns ativistas foram agredidos. Jornalistas também teriam sido alvo da força policial.

O bloqueio de ruas e avenidas importantes em Hong Kong transformou em caos o trânsito da cidade e passou a abalar o apoio da população ao movimento, que vem perdendo intensidade nos últimos dias. Além disso, manifestantes acusam o governo central de ser conivente com os grupos antiprotesto que passaram a enfrentar os ativistas nas ruas. Lideranças estudantis afirmam que os grupos contrários ao movimento pró-democracia são comandados por integrantes da máfia chinesa.

(Com agência France-Presse)