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No Vaticano, começa julgamento de ex-mordomo do papa

Paolo Gabriele confessou ter vazado documentos secretos de Bento XVI

Por Da Redação 29 set 2012, 03h36

Começou na manhã deste sábado o julgamento do ex-mordomo do papa, Paolo Gabriele, de 46 anos, que é acusado de roubo com agravantes de documentos secretos de Bento XVI. O processo, apelidado de ‘Vatileaks’, ganhou repercussão internacional. A primeira audiência determinou que o secretário particular do papa, monsenhor Georg Gänswein, superior direto do ex-mordomo, será convocado como testemunha no julgamento. Gänswein, de 56 anos, considerado por alguns como a eminência parda do sumo pontífice, era a única testemunha citada com nome e sobrenome nos documentos processuais. Após a sessão deste sábado, o julgamento será retomado na terça-feira.

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O desenrolar do julgamento ainda levanta muitas dúvidas, pois esta é a primeira vez que o estado da Cidade do Vaticano enfrenta um processo penal com tanta repercussão. Anualmente, o Vaticano realiza cerca de 30 julgamentos, mas todos de menor escala, já que se trata de ladrões de carteiras e pequenos roubos ocorridos na Praça e na basílica de São Pedro. Oito jornalistas selecionados serão autorizados a entrar – sem gravadores nem câmeras fotográficas ou de vídeo – na pequena sala onde apenas 50 pessoas vão poder assistir à sessão de pé.

A duração da audiência ainda é incerta, mas fontes do Vaticano esperam que o julgamento dure poucos dias, já que todos desejam “resolver o mais rápido possível esse tema”. Diferentes testemunhas devem contar suas versões sobre o caso de vazamento de documentos secretos na próxima semana.

Envolvidos – Além de “Paoletto”, como é conhecido o mordomo que pode ser condenado a até quatro anos de prisão, também será julgado o técnico de informática Claudio Sciarpelletti, de 48, acusado de participação nos vazamentos.

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Fontes da família do ex-mordomo disseram que Paolo Gabriele está muito preocupado com a possibilidade de seus três filhos, que continuam vivendo no Vaticano, serem afetados pela enorme repercussão do caso. Gabriele, que se encontra sob prisão domiciliar, segue cobrando seu salário mensal, de acordo com fontes do Vaticano.

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Julgamento – O papa, como chefe do Vaticano, pode exercer em qualquer momento sua prerrogativa de perdoar o mordomo e extinguir o processo. No entanto, como esse perdão não foi anunciado até agora, o mais provável é que o julgamento não tenha interrupções. “Será um julgamento justo”, afirmou Giovanni Giacobbe, promotor do tribunal de apelação do Vaticano.

Apesar de ‘Paoletto’ já ter se declarado culpado, isso não influenciará a decisão dos juízes, já que quem assume a culpa pode estar, na realidade, dando cobertura para outras pessoas. Segundo a imprensa italiana, o mordomo não foi o único a repassar documentos aos jornalistas e pelo menos dois cardeais poderiam estar envolvidos no escândalo. Fala-se que os envolvidos têm como objetivo desacreditar uma ala do episcopado italiano com ambições de chegar ao trono de Pedro na próxima eleição papal.

(Com agência EFE)

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