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No México, papa ataca narcotráfico e diz que marxismo está superado

León (México), 23 mar (EFE).- O papa Bento XVI arremeteu nesta sexta-feira contra o crime organizado no México, afirmou que a ideologia marxista já não corresponde à realidade, ressaltou que a Igreja não é um poder político, e sim uma realidade moral, e reivindicou o direito à liberdade religiosa.

O pontífice fez estas manifestações a caminho de León, no estado mexicano de Guanajuato, primeira etapa de sua visita a México e Cuba.

Em seu tradicional encontro no avião com os jornalistas que o acompanham, o papa traçou as linhas da viagem, que, disse, desejava realizar há muito tempo, seguindo os passos de João Paulo II, que visitou o México em cinco ocasiões e Cuba em uma oportunidade.

Bento XVI destacou a defesa da liberdade religiosa, exortou os mexicanos a fortalecer a convivência pacífica e a lutar, com a contribuição da Igreja, contra o narcotráfico.

Aos cubanos lançou uma mensagem de esperança e reiterou a colaboração ‘construtiva’ da Igreja com as autoridades da ilha.

O papa lembrou as famosas palavras de João Paulo II em Havana em 1998: ‘Que Cuba se abra ao mundo e o mundo a Cuba’, e disse que elas ainda têm ‘absoluta vigência’.

Ao mesmo tempo, o pontífice ressaltou o papel que a Igreja quer representar a favor de uma maior abertura na sociedade e na política.

‘É evidente que hoje dia a ideologia marxista como era concebida já não corresponde à realidade e, se não se pode construir um tipo de sociedade, é necessário encontrar novos modelos, com paciência e de forma construtiva’, avaliou.

Para que não restasse dúvida quanto a sua aposta pela liberdade, o papa acrescentou: ‘É óbvio que a Igreja está sempre a favor da liberdade, da parte da consciência e da liberdade de religião, e nesse sentido continuaremos com nosso caminho para frente’.

Bento XVI também se referiu à violência provocada pelo narcotráfico no México, que nos últimos cinco anos foi responsável pela morte de cerca de 50 mil pessoas, e disse que a Igreja Católica tem uma grande responsabilidade para educar as consciências.

‘É preciso fazer o possível contra este mal destruidor da humanidade e de nossa juventude. A primeira coisa é anunciar Deus, o juiz que nos ama e nos empurra ao bem e à verdade, e lutar contra o mal’, indicou.

Contente, com bom estado de saúde e desafiando as mais de 14 horas de viagem de avião a seus quase 85 anos, o papa chegou a León, no centro do país e eixo do catolicismo mexicano, onde foi recebido pelo presidente, Felipe Calderón, e dezenas de milhares de pessoas.

Segundo o porta-voz vaticano, Federico Lombardi, entre 600 mil e 700 mil pessoas acolheram o papa ao longo de todo o percurso desde o aeroporto ao Colégio Miraflores.

Bento XVI se reunirá neste sábado com Calderón em Guanajuato e depois cumprimentará milhares de crianças reunidas na praça central de León. EFE