Clique e Assine a partir de R$ 7,90/mês

Negociações de paz para a Síria começam em Genebra

Primeira reunião aconteceu sem a presença dos principais grupos de oposição ao ditador Bashar Assad

Por Da Redação 29 jan 2016, 19h01

As negociações organizadas pela Organização das Nações Unidas (ONU) para colocar fim a cinco anos de guerra na Síria começaram nesta sexta-feira em Genebra, na Suíça. O encontro aconteceu sem a presença dos principais grupos de oposição ao regime do ditador Bashar Assad e reuniu o emissário especial das Nações Unidas para a Síria, Staffan de Mistura, e uma delegação de dezesseis membros, chefiada pelo embaixador sírio na ONU, Bashar al Jaafari.

Está previsto que estas negociações, que buscam encerrar uma guerra que deixou mais de 260.000 mortos e centenas de milhares de refugiados desde março de 2011, durem seis meses.

Os grupos de oposição ao regime de Assad exigem como condição para sua participação uma melhora da situação humanitária na Síria e o fim dos bombardeios do governo de Assad contra opositores e civis. Após a reunião desta sexta, Staffan de Mistura disse que acredita que conseguirá se encontrar com os opositores sírios no próximo domingo. “Eu tenho boas razões para acreditar que eles estão realmente considerando isso”, afirmou.

Leia também:

Mais de 160 civis morrem em 3 dias de bombardeios no norte e leste da Síria

Bombardeios da coalizão internacional na Síria mataram 4.272 em 16 meses

Continua após a publicidade

Estado Islâmico sequestra 400 civis em cidade síria

Nessa primeira fase de negociações, as prioridades são um cessar-fogo local, o aumento dos esforços para combater o grupo terrorista Estado Islâmico no país e a melhora no acesso humanitário às áreas sitiadas. Ainda não há expectativas de discutir questões sobre o futuro do regime de Assad ou a formação de um governo transitório com membros da oposição.

Pouco antes do início das discussões, algumas dezenas de manifestantes se reuniram em frente à sede da ONU em Genebra para protestar contra a ditadura síria. “Assad não é a solução para o terrorismo, ele é a causa”, diziam. As potências ocidentais, que por muito tempo exigiram a saída do ditador, flexibilizaram seu discurso frente ao crescimento do Estado Islâmico, considerado atualmente a principal ameaça.

Coalizão – Uma coalizão liderada pelos Estados Unidos realiza ataques aéreos contra posições do grupo jihadista no Iraque e na Síria. Nesta sexta-feira, a Holanda anunciou que se juntará aos ataques. A ministro de Defesa do país, Jeanine Hennis-Plasschaert, afirmou que a decisão significa que a coalizão vai “fazer mais progressos” contra o Estado Islâmico.

Neste contexto, o presidente iraniano, Hassan Rohani, considerou que a resolução política da crise na Síria vai levar tempo. “É nossa esperança ver essas negociações serem concluídas o mais rapidamente possível. Mas duvido que acabe rápido, porque na Síria há grupos que estão lutando contra o governo central, mas também entre si. Também há interferências nos assuntos internos da Síria”, afirmou à imprensa francesa.

(Da redação)

Continua após a publicidade

Publicidade