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Navio pesqueiro vietnamita naufraga em águas em disputa com a China

Hanói diz que 40 embarcações chinesas cercaram o navio até provocar o seu naufrágio. Incidente ocorreu perto de uma controversa plataforma petrolífera

Por Da Redação 28 Maio 2014, 07h12

Os governos de China e Vietnã trocaram acusações nesta terça-feira após um navio pesqueiro vietnamita afundar próximo à área em que Pequim construiu uma controversa plataforma petrolífera da estatal chinesa CNOOC. Hanói disse que quarenta embarcações chinesas cercaram o navio até que uma delas provocou o naufrágio. Os dez pescadores que estavam a bordo foram socorridos por outros navios que circulavam pela região. A China, por sua vez, alega que a embarcação naufragou após se chocar com um de seus pesqueiros. A área em questão tem provocado tensões diplomáticas entre os dois países, uma vez que Hanói acusa Pequim de estar explorando recursos naturais dentro de suas próprias fronteiras.

Embora nenhum incidente tivesse sido registrado até o momento, diversas embarcações vietnamitas e chinesas, incluindo barcos da guarda-costeira, continuam circundando a região. Uma série de colisões entre os navios já tinha sido registrada recentemente. Segundo o porta-voz da chancelaria chinesa, Qin Gang, o naufrágio foi provocado pela “insistência do Vietnã de atrapalhar forçadamente as operações normais da China e protagonizar ações perigosas nos mares”. “Nós urgimos os vietnamitas a interromperem imediatamente todas as atividades perturbadoras e danosas”, afirmou.

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O incidente ocorreu a 17 milhas náuticas (31 quilômetros) da plataforma em disputa. A base petrolífera estava situada originariamente em águas ao sul de Hong Kong, mas foi transferida para as proximidades das ilhas Paracel (que os chineses chamam de Xisha) no dia 2 de maio, o que foi interpretado como uma “ação ilegal” pelo governo vietnamita. No dia seguinte, a Administração de Segurança Marítima da China anunciou a proibição da navegação a menos de uma milha náutica (1,8 quilômetro) da plataforma, uma distância que dois dias depois aumentou para 3 milhas náuticas (5,5 quilômetros).

As ilhas em disputa são controladas de fato pela China desde um enfrentamento naval com o Vietnã em 1974, a chamada Batalha das Ilhas Paracel, na qual morreram 53 marinheiros vietnamitas e 18 chineses. A China mantém crescentes tensões marítimas com países vizinhos, especialmente Japão, Filipinas e Vietnã, por ilhas e águas dos Mares da China Meridional e Oriental, ricas em recursos pesqueiros e energéticos (gás natural e petróleo que ainda não foram explorados).

Em outra área do oceano, localizada ao norte, um pescador morreu e outro está desaparecido depois que o barco em que estavam ser atingido por uma embarcação “estranha”, conforme disseram as autoridades vietnamitas. A disputa chegou a ser motivo de várias manifestações organizadas em maio contra as reivindicações da China. Este tipo de incidente é pouco frequente no Vietnã, um país controlado por um regime comunista de partido único.

Durante os protestos, manifestantes incendiaram fábricas taiwanesas que operam em solo vietnamita após confundi-las com indústrias chinesas. Mesmo em meio à revolta em Hanói, a petrolífera segue operando normalmente. A CNOOC emitiu um comunicado dizendo que a primeira parte da locomoção da plataforma foi concluída justamente nesta terça-feira. A expectativa é de que o processo seja finalizado em meados de agosto. Impotente, o Vietnã ameaçou mover ações judiciais internacionais contra Pequim, mas entrou com nenhuma requisição até o momento.

(Com agência Reuters)

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