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Navio com Piu Piu e Frajola abriga polícia espanhola na Catalunha

Ministro do Interior espanhol anuncia o envio de seis mil policiais à Catalunha para garantir a manutenção da “ordem pública” na região

Por Gustavo Silva Atualizado em 22 set 2017, 16h23 - Publicado em 22 set 2017, 15h24

O ministro do Interior da Espanha, Juan Ignacio Zoido, comunicou nesta sexta-feira em carta ao seu par catalão, Joaquim Forn, que enviará cerca de seis mil policiais à Catalunha para garantir a manutenção da “ordem pública” na região. A ação é vista como uma forma de dissuadir Barcelona a não levar adiante os planos de realizar no dia 1° de outubro um referendo de independência, declarado “ilegal” por Madri.

As forças policiais, divididas entre unidades da Polícia Nacional e Guarda Civil, já vêm sendo destacadas na região há pelo menos duas semanas. Sem alojamentos suficientes disponíveis, Madri teve que alugar três cruzeiros para alocar todo o efetivo policial. Um deles, o Moby Data, chama a atenção logo em seu exterior: trata-se de um navio temático com personagens da série animada Looney Tunes, entre eles os conhecidos Piu Piu, Frajola, Coiote e Patolino.

As redes sociais, claro, não perdoaram a situação, e o cruzeiro ancorado em Barcelona virou motivo de piadas. “O Governo dá um ultimato a Puidgemont [chefe do governo catalão]: se o referendo não for cancelado, eles deixarão que o Frajola coma o Piu-Pi”, escreveu um usuário. Outro foi além e exibiu a imagem de um avião decorado com a personagem Hello Kitty – “Chegou a Força Aérea Espanhola”. As forças policiais espanholas viraram personagens em outra brincadeira.

 

“Imagens ao vivo da Catalunha”, brinca um usuário com imagem do Dia D

A situação não foi motivo de piada para o Sindicato Unificado de Policia (SUP). Em resposta a uma mensagem postada pela vice-primeira-ministra Soraya Sáenz de Santamaría no Twitter, no qual diz que “é obrigação do Governo defender os direitos, a lei, e garantir que, por caminhos democráticos, todos possam projetas mudanças”, o órgão que representa os interesses da categoria disse que “também é obrigação do Governo proteger quem defende o Estado de Direito”. Com imagens do que seria o café da manhã das forças policias, o SUP protesta sobre as condições do espaço, as quais define como “miseráveis”.

O governo em Barcelona disse que as novas medidas, incluindo um corte no tempo livre dos policiais, são exageradas e têm como objetivo criar uma falsa impressão de crise. “Tudo que você precisa são olhos na sua cabeça para ver que não há violência”, disse o porta-voz do governo catalão, Jordi Turull.

O ministro Zoido, por sua vez, garantiu na quinta-feira que a intenção de Madri é “melhorar à coordenação” entre as forças de segurança na região. A declaração foi considerada uma crítica velada aos Mossos d’Esquadra, a força policial catalã, que seria vista pelo governo central como conivente às atitudes das forças independentistas.

Liberdade

Integrantes do governo catalão detidos desde quarta-feira por ordem judicial foram liberados nesta sexta-feira depois de prestarem depoimento. Eles são acusados de desobediência, desfalque e prevaricação, infrações ligadas ao referendo independentista.

Josep Maria Jové, o número dois do Departamento de Economia e homem de confiança do vice-presidente do governo regional da Catalunha, Oriol Junqueras, e o secretário de Fazenda do departamento, Lluís Salvadó, foram soltos. Outros quatro detidos ganharam liberdade condicional, e seguem com a obrigação de comparecem semanalmente perante o juiz.

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