Murdoch fez vista grossa para escutas ilegais em empresa

Parlamento britânico conclui que magnata não é apto para dirigir a News Corp

Por Da Redação - 1 maio 2012, 08h44

Rupert Murdoch, o dono do conglomerado News Corp, fez vista grossa sobre o escândalo das escutas telefônicas no tabloide News of the World e, portanto, não é ‘apto’ para dirigir uma companhia internacional, concluiu nesta terça-feira um comitê do Parlamento britânico por meio de um relatório.

Entenda o caso

  1. • O tabloide News of the World recorria a detetives e escutas telefônicas em busca de notícias exclusivas – entre as vítimas estão celebridades, políticos, membros da família real e até parentes de soldados mortos.
  2. • Policiais da Scotland Yard também teriam sido subornados para fornecer informações em primeira mão aos jornalistas.
  3. • O escândalo forçou o fechamento do jornal sensacionalista, que circulou por 168 anos e era um dos veículos do grupo News Corp., do magnata Rupert Murdoch.
  4. • Agora, a polícia investiga uso de grampos ilegais em outros jornais britânicos.

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“Rupert Murdoch não tomou as medidas necessárias para informar-se plenamente sobre as escutas telefônicas e fez vista grossa sobre o que acontecia em suas empresas e publicações”, afirma o relatório da Comissão de Cultura e Meios de Comunicação. “Concluímos, portanto, que Rupert Murdoch não é uma pessoa apta para dirigir uma grande companhia”.

“A News Corp é culpada por enormes falhas na liderança de uma corporação, com o instinto de encobrir o delito em vez de procurar e disciplinar os responsáveis”, disse o comitê. Segundo eles, a ex-executiva da News International e ex-braço direito de Murdoch, Rebekah Brooks, deve ‘aceitar a responsabilidade’ de proteger uma cultura no tabloide que levou ao grampo do telefone da adolescente Milly Dowler.

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Comitê – Apesar de aprovar a condenação, os parlamentares ficaram divididos – quatro dos dez membros se negaram a apoiar o relatório, classificando-o como ‘partidário’.O conservador Louise Mensch disse que o documento tinha ‘fins políticos’ e afirmou que é uma ‘grande vergonha que a credibilidade do relatório tenha sido potencialmente danificada’.

O comitê começou sua investigação em julho de 2011, logo após surgirem as revelações da extensão dos grampos telefônicos do tabloide de Murdoch. Os parlamentares ouviram depoimentos de Rupert e seu filho, James Murdoch, bem como vários editores dos jornais do conglomerado e vítimas. Agora, eles concluíram que é ‘simplesmente não é crível’ que as práticas do News of The World não chegassem aos ouvidos de Murdoch.

(Com agência France-Presse)

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