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Multidão reage com fúria a discurso do presidente Mubarak

Vice diz que fará o possível para garantir uma transferência pacífica de poderes

Por Da Redação 10 fev 2011, 19h35

Os manifestantes reunidos na praça Tahrir, no centro do Cairo, reagiram furiosos ao discurso do presidente, Hosni Mubarak, nesta quinta-feira, e pediram que o Exército se una a eles na rebelião. Apesar de todas as apostas ao longo do dia, o ditador anunciou que não renunciará, como exigem os opositores.

Centenas de manifestantes tiraram os sapatos e os agitaram em frente aos telões pelos quais assistiam ao discurso de Mubarak. O gesto é considerado um insulto em sociedades árabes. Os jovens gritaram: “Abaixo Mubarak, saia, saia!”

Outros pediram a convocação de uma greve geral. Este grupo também desafiou o Exército, que mobilizou um grande efetivo para fazer a segurança do local. “Exército egípcio, o momento da escolha é agora: o regime ou o povo!”. Os manifestantes devem voltar às ruas na próxima sexta-feira, início do final de semana no Egito. Normalmente, os bancos e a Bolsa de Valores reabrem do domingo, primeiro dia útil da semana.

Governo – Após o pronunciamento de Mubarak, o vice-presidente do Egito, Omar Suleiman, disse que fará tudo o que for possível para garantir uma transferência pacífica de poderes.

Suleiman afirmou que está comprometido a atender as demandas do povo por meio do diálogo que, segundo ele, já começou. O vice-presidente acrescentou que os egípcios não serão arrastados ao caos nem serão usados como instrumentos para sabotagem. Ele disse que o Exército protegeu a “revolução da juventude”. Mas, pediu aos manifestantes que voltassem para casa e para o trabalho.

Já Mohammed ElBaradei, um dos líderes da oposição, disse que o Egito “irá explodir” se não houver uma mudança política e se o presidente Hosni Mubarak não deixar o cargo. “O exército precisa salvar o país agora”, disse.

Nos Estados Unidos, o presidente Barack Obama vai reunir, ainda nesta quinta-feira, sua equipe de segurança nacional. De acordo com o porta-voz da Casa Branca, Robert Gibbs, Obama, que passou o dia em viagem para Michigan (norte dos EUA), assistiu a bordo do avião presidencial Air Force One ao discurso à nação de Mubarak.

Durante o dia, pela primeira vez, os opositores do ditador também se voltaram contra Suleiman – que até então estava conseguindo se manter imune às manifestações. Segundo a ONU, pelo menos 300 pessoas morreram e 5.000 ficaram feridas em confrontos durante os protestos que ocorrem no país desde o dia 25 de janeiro. (Com agência France-Presse)

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