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Mubarak, o faraó deposto, é condenado à prisão perpétua

Por Por Jailan Zayan - 2 jun 2012, 10h07

Hosni Mubarak, de 84 anos, que neste sábado foi condenado à prisão perpétua pela mortífera repressão de manifestantes, presidiu o Egito durante três décadas até deixar o poder em fevereiro de 2011, após 18 dias de mobilizações sem precedentes da oposição.

Suas imagens, nas quais estava visivelmente rejuvenescido, foram retiradas dos edifícios oficiais, e os vendedores de lembranças da Praça Tahrir, epicentro dos protestos na capital egípcia, hoje vendem caricaturas de um ex-presidente com a expressão perplexa.

O homem que governou com mão de ferro o país mais populoso do mundo árabe, antes de participar de seu próprio julgamento de maca, evitou a pena de morte pedida pela promotoria.

O regime de Mubarak foi marcado por sua obstinada oposição a uma abertura do sistema, invocando o risco de uma desestabilização catastrófica de seu país.

Poucos se atreviam a apostar na permanência no poder deste homem sem grande carisma que em 1981 sucedeu Anwar al-Sadat, assassinado por islamitas.

No entanto, Mubarak, ex-comandante da Força Aérea, conseguiu manter a estabilidade do Egito e a de seu poder, agarrando-se a um sistema acusado de asfixiar a vida política.

Também se opôs de forma ferrenha ao islamismo radical inspirado na Al-Qaeda, embora não tenha conseguido impedir o fortalecimento de um islã tradicionalista inspirado pelo influente movimento da Irmandade Muçulmana.

Com sua silhueta maciça, seus cabelos sempre pretos, apesar da idade, e seu olhar muitas vezes oculto pelos óculos de sol, se converteu com o passar dos anos em uma figura familiar nas reuniões internacionais e impôs o Egito como um pilar de moderação dentro do mundo árabe.

Pragmático, manteve contra todas as probabilidades o posto de seu país no campo pró-americano e preservou os acordos de paz com Israel de 1979, que custaram a vida de seu antecessor.

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O liberalismo econômico, que se acentuou nos últimos anos, permitiu desenvolver setores econômicos como as telecomunicações e a construção, mas quase 40% dos 80 milhões de egípcios seguiam vivendo com menos de dois dólares diários, segundo estatísticas internacionais.

A corrupção era outro mal endêmico do país.

A crescente influência econômica e política de seu filho mais novo, Gamal, ligado aos meios empresariais, alimentava as suspeitas sobre planos de uma transmissão “hereditária” do poder na eleição presidencial de setembro de 2011.

Durante sua longa carreira, Hosni Mubarak escapou de pelo menos seis tentativas de assassinato. Jamais suspendeu o estado de emergência instaurado quando subiu ao poder.

Atualmente encontra-se internado no hospital militar em estado de detenção. Seu estado de saúde abriu espaço para diferentes versões, em alguns casos contraditórias.

Seu advogado, Farid el-Dib, afirmou que sofria de câncer de estômago. Outras fontes o descreveram como um depressivo incapaz de caminhar. Também afirmou-se que tem problemas cardíacos.

Em março de 2010, já havia sido hospitalizado na Alemanha para uma remoção da vesícula biliar e de um pólipo do duodeno.

Mohamed Hosni Mubarak nasceu no dia 4 de maio de 1929 em uma família da pequena burguesia rural do Delta do Nilo. Subiu dois escalões da hierarquia militar até chegar a comandante em chefe da Força Aérea, e foi nomeado vice-presidente em abril de 1975.

Mubarak é casado com Suzanne Thabet, com quem tem dois filhos, Gamal e Alaa. Ambos também compareceram perante a justiça, mas não foram condenados, após o tribunal considerar que seus crimes prescreveram.

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