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Morre veterano da II Guerra que inspirou filme de Angelina Jolie

Louis Zamperini, que também foi atleta olímpico, passou dois anos como prisioneiro de guerra, em um campo de concentração no Japão

O ex-atleta olímpico Louis Zamperini, veterano da II Guerra Mundial que inspirou o filme Unbroken, dirigido por Angelina Jolie, morreu aos 97 anos. Segundo um comunicado divulgado por familiares, ele morreu nesta quarta, depois de passar quarenta dias internado devido a uma pneumonia. “Sua coragem indomável e espírito de lutador nunca foram tão aparentes como nesses últimos dias”, diz o texto.

A atriz Angelina Jolie afirmou que a perda do veterano que passou mais de dois anos como prisioneiro do Japão “é impossível de descrever”. “Nós todos somos agradecidos por tê-lo conhecido e pela maneira como ele enriqueceu nossas vidas”, disse a também diretora, que está finalizando o filme sobre Zamperini, que estreia em 25 de dezembro nos EUA – ainda não há previsão de lançamento no Brasil. O longa foi baseado em uma biografia que se tornou best-seller no país em 2010.

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Filho de italianos que foram viver no Estado de Nova York, Zamperini nasceu em 1917. Em entrevistas ele afirmou que era uma espécie de “delinquente juvenil” brigão na maior parte da adolescência, durante a Grande Depressão. No início dos anos 30, seu irmão insistiu para que ele entrasse na equipe de corrida da escola, como forma de se qualificar para uma bolsa universitária. Zamperini se destacou tanto que acabou se tornando atleta olímpico e disputando os Jogos de Berlim, em 1936, conquistando o oitavo lugar na prova dos 5.000 metros rasos. Por ter completado a última volta em 59 segundos, foi cumprimentado por Adolf Hitler.

Louis Zamperini à época da II Guerra Mundial Louis Zamperini à época da II Guerra Mundial

Louis Zamperini à época da II Guerra Mundial (/)

As Olimpíadas de 1940 acabaram sendo canceladas por causa da II Guerra Mundial e Zamperini alistou-se no Corpo Aéreo Americano, predecessor da Força Aérea, pouco depois da entrada dos Estados Unidos no conflito. Ele assumiu o posto de segundo-tenente e passou a voar em um bombardeiro B-24. Em abril de 1943, quando realizava buscas no Oceano Pacífico para localizar a tripulação de um bombardeiro que havia caído pouco antes, o B-24 em que estava sofreu uma pane e se chocou no mar. Oito dos onze tripulantes morreram. Zamperini e outros dois sobreviventes ficaram semanas à deriva em um bote inflável. Um dos militares acabou morrendo após 33 dias no mar. Depois de 47 dias, Zamperini e o outro oficial sobrevivente conseguiram chegar a uma ilha, mas logo foram capturados por forças japonesas.

Pelos dois anos seguintes, ele permaneceu em um campo de concentração perto de Yokamaha. Como os japoneses não informaram à Cruz Vermelha que o ex-corredor havia sido capturado, a família de Zamperini nos EUA acreditaram que ele havia morrido no mar. Nesse período ele foi frequentemente torturado, maltratado e espancado pelos guardas. Ele seria libertado apenas em agosto de 1945, após a derrota do Japão.

Ele casou, enfrentou problemas com alcoolismo e tornou-se um cristão devoto por influência do celebrado evangelista americano Billy Graham. Passaria as décadas seguintes atuando como um orador motivacional tendo como tema predileto o perdão. Em 1998, em um sinal de reconciliação entre o Japão e os EUA, o ex-corredor foi um dos responsáveis por carregar a tocha olímpica dos Jogos de Inverno de Nagano.