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Morales fracassa ao tentar definir nova agenda de Governo com a oposição

La Paz, 16 jan (EFE).- A tentativa do presidente boliviano, Evo Morales, de envolver a oposição no desenvolvimento de uma nova agenda política e econômica fracassou nesta segunda-feira, depois que os principais partidos se retiraram quando o líder proibiu a imprensa não-oficial de cobrir a reunião.

Morales disse que os jornalistas são seus maiores ‘inimigos’, argumentou que não se tratava de um debate, mas de uma reunião para ‘recolher propostas’.

Abandonaram a reunião o centro-esquerdista Movimento Sem Medo (MSM), liderado por Juan del Granado, antigo aliado de Morales; o centrista União Nacional (UN), dirigido pelo empresário Samuel Doria Medina, e o conservador Movimento Nacionalista Revolucionário (MNR).

O líder boliviano havia convidado 17 partidos para discutir a nova agenda nacional, depois que setores governamentais a definiram na semana passada na cidade de Cochabamba, no chamado Encontro Plurinacional.

Ali propôs a imposição de restrições à posse de terras por parte de estrangeiros, novas leis de comunicação e controle de meios de comunicação, supervisão de organizações não-governamentais e industrialização de recursos naturais.

Del Granado lamentou que Morales não tenha permitido a presença da imprensa e questionou: ‘Se não tem nada para esconder, por que não permanecem os meios de comunicação?’.

‘Lamentamos ter de fazê-lo, mas não podemos estar fechados em quatro paredes, de costas para a comunidade e o país, legitimando ações governamentais com as quais não estamos de acordo’, acrescentou.

Morales convocou os partidos em um momento em que sua popularidade caiu para seu menor nível desde que chegou ao poder em 2006, com 35% de apoio e 53% de rejeição em dezembro do ano passado, segundo o instituto Ipsos.

O deputado da UN, Jaime Navarro, deplorou a falta de ‘transparência’ do evento e criticou que Morales só permitisse que a reunião tratasse os temas do Encontro Plurinacional, definidos pelo Governo e seus seguidores.

As forças de oposição pediram um debate sobre o assédio judicial aos adversários políticos de Morales, a vigência dos direitos humanos e uma política de luta real contra o narcotráfico, mas o Governo rejeitou falar desses pontos. EFE