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Mistério e expectativa cercam aparição de Julian Assange

Fundador do WikiLeaks está refugiado na Embaixada do Equador em Londres. Australiano pode ser preso e deportado à Suécia caso saia de edifício

Por Da Redação 18 ago 2012, 14h41

Mistério e expectativa cercam a aparição pública do australiano Julian Assange, anunciada para este domingo às 13h no horário local (10h no horário de Brasília) em frente à embaixada do Equador, em Londres. Esta é a data em que o fundador do WikiLeaks completa dois meses de refúgio no local. Ele foge da polícia britânica, que deseja extraditá-lo à Suécia.

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Entenda o caso

  1. • Julian Assange é acusado de agressão sexual por duas mulheres da Suécia, mas nega os crimes, diz que as relações foram consensuais e que é vítima de perseguição.
  2. • Ele foi detido em 7 de dezembro de 2010, pouco depois que o site Wikileaks, do qual é o proprietário, divulgou milhares de documentos confidenciais da diplomacia americana que revelam métodos e práticas questionáveis de muitos governos – causando constrangimentos aos EUA.
  3. • O australiano estava em prisão domiciliar na Grã-Bretanha, até que em maio de 2012 a Justiça determinou sua extradição à Suécia; desde então, ele busca meios jurídicos para ter o caso reavaliado, com medo de que Estocolmo o envie aos EUA.

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Na sexta-feira, o WikiLeaks, site que revelou milhares de documentos secretos dos Estados Unidos, anunciou que Assange faria uma aparição pública na embaixada. Contudo, faltando menos de 24 horas, nada se sabe sobre o evento.

O australiano de 41 anos tem consciência de que, se colocar os pés fora do edifício, poderá ser detido pela polícia e extraditado à Suécia, onde a justiça exige sua presença para interrogá-lo em um caso de supostos crimes sexuais. Assange pode optar, por exemplo, por se posicionar nas escadas do prédio, embora o ministério das Relações Exteriores britânico tenha indicado que as partes comuns do edifício são consideradas território britânico.

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Outra possibilidade seria ir à varanda ou mesmo aparecer em uma televisão que retransmitisse sua mensagem ao vivo do interior da embaixada, como especulava neste sábado o tabloide inglês Daily Mail. A embaixada equatoriana está situada em um edifício do elegante bairro londrino de Knighstbridge. Manifestantes e jornalistas já se acumulam no local à espera da declaração de Assange.

O caso reforçou ainda mais o conflito internacional que teve início quando o Equador decidiu conceder asilo ao australiano, algo que, segundo o Reino Unido, “não muda em nada” a sua vontade de extraditá-lo. O fundador do WikiLeaks teme que, uma vez na Suécia, possa ser mandado aos Estados Unidos e, depois, julgado por traição. As acusações poderiam levá-lo à pena de morte.

Posição do Brasil – O Brasil defenderá a inviolabilidade da representação diplomática da embaixada equatoriana em Londres durante a reunião da Unasul, que será realizada neste domingo em Guayaquil, informou a chanceleria brasileira. A reunião foi convocada após a concessão de asilo diplomático a Assange. Antonio Simões, subsecretariorio-geral da América do Sul, foi o escolhido para participar da reunião.

O encontro de chanceleres da Unasul foi convocado por Quito, que denunciou a possibilidade de que a Grã-Bretanha queira invadir à força a embaixada equatoriana em Londres para prender Assange.

Relação promíscua – Analistas internacionais afirmam que, para se entender a decisão do governo equatoriano, é preciso ter em conta que Correa e Assange têm interesses comuns. “Os dois acreditam que os Estados Unidos são um império que precisa ser controlado”, afirmou à rede CNN Robert Amsterdam, advogado especializado em direito internacional.

A relação do presidente equatoriano e do criador da WikiLeaks é, aliás, estreita. Correa, por exemplo, já participou do show de TV comandado por Assange, “The World Tomorrow”, transmitido pelo canal de televisão russa R-TV. No programa, ambos trocaram elogios. O australiano definiu Correa como um “líder transformador”. “Sua WikiLeaks nos fez fortes”, respondeu Correa.

Para o analista político equatoriano Jorge Leon, a concessão do asilo a Assange está relacionada às eleições presidenciais, programadas para acontecer em fevereiro de 2013. Segundo ele, a presença de Assange no país pode ser “útil para reforçar a imagem de esquerda de Correa”.

Não deixa de ser irônica essa aproximação entre um homem que se proclama defensor incondicional do direito de expressão, como Assange, com um dos grandes perseguidores da imprensa independente, como Correa. O presidente equatoriano é famoso por processar jornalistas e recomendar a ministros que não deem entrevistas. Para Amsterdam, Assange parece agora estar mais interessado em se salvar do que em defender a imprensa livre.

(Com Agência AFP)

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