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Ministro do Japão renuncia após gafe sobre Fukushima

Yoshio Hachiro havia chamado arredores da usina de 'cidade da morte'

O ministro japonês da Economia, Yoshio Hachiro, demitiu-se neste sábado, por ter chamado de “cidade da morte” os arredores abandonados da central nuclear acidentada de Fukushima, informou a imprensa local. Nomeado há apenas uma semana pelo novo primeiro-ministro de centro-esquerda, Yoshihiko Noda, Yoshio Hachiro vinha sendo objeto de violentas críticas por parte da oposição conservadora pelas declarações infelizes formuladas durante visita à região de Fukushima.

Em entrevista à imprensa, na sexta-feira, Hachiro havia dito: “Infelizmente, não há nenhuma alma viva nas ruas vizinhas à central. Isto nos faz pensar numa cidade da morte”. Noda havia pedido a seu ministro que se desculpasse, e ele o fez imediatamente. No entanto, prosseguiram as críticas contra ele, o que levou Hachiro a ceder neste sábado, informou a agência de notícias Kyodo e a televisão pública NHK. O primeiro-ministro já aceitou a demissão.

O episódio representa um golpe sério para o premiê Noda, pouco depois de instalado no cargo, em substiuição a Naoto Kan, criticado pela administração das consequências do tsunami de 11 de março, que deixou 20.000 mortos e desaparecidos, e o acidente nuclear de Fukushima. Hachiro, da esquerda do Partido Democrata do Japão (PDJ), recebeu a tarefa de pilotar a recuperação de uma economia em recessão e de enfrentar os novos desafios da política energética do país, privado atualmente de 80% de sua geração nuclear.

Desafios – A recessão da economia japonesa no segundo trimestre de 2011 foi mais severa que a estimativa inicial, poucos meses depois do terremoto e tsunami de 11 de março e em um contexto de desaceleração do crescimento mundial. O Produto Interno Bruto (PIB) da terceira maior economia mundial registrou contração de 0,5% entre abril e junho na comparação com o trimestre anterior, contra 0,3% da primeira estimativa. O retrocesso em ritmo anual foi de 2,1%, contra 1,3% calculado inicialmente. Foi o terceiro trimestre seguido de contração da economia japonesa, agravada, desta vez, por uma queda das exportações.

No entender do primeiro-ministro japonês, Yoshihiko Noda, a reconstrução do país – devastado pelo terremoto e tsunami de 11 de março – é a prioridade de seu governo, assim como resolver o acidente nuclear de Fukushima.

(Com agência France-Presse)