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Mineiros colocarão à prova treinamentos que receberam

A quase 700 metros abaixo da terra, os homens que se tornaram heróis nacionais tiveram apoio psicológico e foram ensinados a lidar com a fama

Por Da Redação - 12 out 2010, 18h57

Médicos, psicólogos e outros especialistas da área de saúde são unânimes em dizer que a vida dos 33 operários, soterrados desde 5 de agosto da mina San José, nunca mais será a mesma. O difícil resgate, dentro de uma cápsula que levará um de cada vez à superfície, é apenas um dos desafios da nova realidade destes trabalhadores. Desde a data em que foram descobertos vivos no refúgio, eles recebem treinamentos para lidar com as situações adversas que lhes esperam: da reintegração às famílias à recém adquirida fama. A partir de agora, os novos heróis vão colocar à prova tudo o que aprenderam ou praticaram nestes dois meses de confinamento.

Ginástica – Em 13 de setembro, o ministro da Saúde, Jaime Mañalich anunciou que os mineiros iniciariam um programa de exercícios físicos de uma hora diária com o apoio de um personal trainer que os guiaria por um sistema de TV. A ideia era deixá-los em boa forma para o trabalho pesado, que enfrentariam ao retirar as rochas que caíam durante a perfuração do túnel, e também para o dia do resgate.

Dieta – A preparação física dos operários foi complementada com uma dieta rigorosa. Por recomendação de nutricionistas, cada mineiro deveria ingerir diariamente 2.000 calorias de alimentos e cinco litros de água, indispensáveis no combate à desidratação em um ambiente com temperaturas que podiam superar 30ºC.

Doze horas antes do resgate, o grupo iniciou uma alimentação especial, com dieta líquida enriquecida de minerais, para evitar náuseas durante o trajeto até a superfície.

Apoio psicológico – Os mineiros contaram com acompanhamento de psicólogos, que os ajudaram a lidar com a situação de confinamento. Os que desejarem poderão ser assistidos por até seis meses após o resgate. Alguns operários chegaram a ser diagnosticados com depressão. Mas, as autoridades chilenas logo voltaram atrás e disseram que eles estavam “apenas cansados”.

Além dos problemas de saúde, os trabalhadores podem ter dificuldade de readaptação à vida normal, inclusive na relação com os parentes, mesmo depois de tanta espera. “As famílias também sofreram muito. Há uma tendência em idealizar o que vai ocorrer em seguida”, disse à rede britânica BBC o psicólogo, James Thompson, que é conferencista na University College London.

Os mineiros e suas família vão ter de lidar ainda com a fama instantânea, que não fazia parte de suas vidas antes do acidente na mina San José.

“Media training” – As “novas celebridades” foram ensinadas a falar com a imprensa quando saírem do confinamento. Os 33 operários receberam treinamento de oratória e relações públicas. “O treinamento foi feito para ensiná-los a expressar claramente suas ideias, de forma que a experiência diante das câmeras não seja estressante”, disse o chefe da equipe de psicólogos, Alberto Iturra.

Eles aprenderam a lidar com perguntas incômodas de jornalistas para “continuarem equilibrados durante uma entrevista, pedirem ao entrevistador para repetir a pergunta se não entendê-la ou dizerem que preferem não respondê-la”, concluiu Iturra.

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