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Militares de Burkina Faso anunciam golpe e dissolução do governo

A Organização das Nações Unidas, o governo dos Estados Unidos e a França condenaram o golpe de Estado e o fim da transição democrática

Por Da Redação - 17 set 2015, 12h39

Militares de Burkina Faso anunciaram nesta quinta-feira que destituíram o presidente interino Michel Kafando de suas funções e dissolveram o governo, tomando o poder em um golpe a menos de um mês de eleições destinadas a restaurar a democracia no país do oeste da África. O ex-chefe de Estado-Maior, o general Gilbert Diendéré, foi proclamado líder do conselho golpista. Burkina Faso, país do oeste africano, mergulhou no caos na quarta-feira, quando a Guarda Republicana – unidade de elite e um dos pilares do regime do ex-ditador Blaise Compaoré, que ficou por um longo período no poder – prendeu Kafando, o primeiro-ministro Yacouba Isaac Zida e dois ministros.

A poderosa guarda presidencial tem se intrometido repetidamente na política desde que Compaoré foi deposto em um levante popular em outubro do ano passado. “As forças patrióticas, agrupados no Conselho Nacional para a Democracia, decidiram hoje pôr fim ao corrompido regime transitório”, disse um oficial militar na televisão estatal RTB. “A transição se distanciou progressivamente dos objetivos de refundar a nossa democracia”, afirmou, acrescentando que a revisão da lei eleitoral que impediu partidários de Compaoré de disputar as eleições previstas para 11 de outubro tinha criado “divisões e frustrações entre as pessoas”.

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O golpe militar – que provocou a condenação das Nações Unidas, do governo dos Estados Unidos e da França, ex-potência colonial no país – acabou com as esperanças de uma transição suave em Burkina Faso, que se tornou um farol para as aspirações democráticas na África depois que os manifestantes derrubaram Compaoré.

Disparos – Soldados do Exército de Burkina Faso estão efetuando disparos em algumas ruas da capital Uagadugu para evitar possíveis concentrações de cidadãos em protesto pelo golpe. Ontem à noite a capital também registrou disparos e atos violentos intimidatórios protagonizados por soldados. A primeira medida de Diendére foi fechar as fronteiras terrestres, marítimas e aéreas, assim como estabelecer um toque de recolher para a população a partir desta tarde.

(Da redação)

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