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Milícias armadas se concentram na fronteira dos EUA com o México

Cerca de 200 civis armados já estão na região à espera de integrantes das três caravanas de migrantes centro-americanos

O discurso inflamado do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contra as caravanas de migrantes da América Central a caminho de seu país está mobilizando milícias e vigilantes armados para a fronteira com o México. Trump chegou a acusar a presença de extremistas do Oriente Médio entre os centro-americanos como meio de instigar a reação contrária dos americanos ao ingresso dos migrantes.

O jornal Washington Post denunciou em sua edição deste domingo a presença crescente dos milicianos armados na margem norte do Rio Grande. A situação preocupa especialmente o comando da Patrulha da Fronteira, a força de segurança do governo que atua na região, segundo documento da Patrulha da Fronteira publicado pela revista Newsweek, no qual há o registro da presença de 200 milicianos.

Três caravanas de imigrantes caminham, a pé, em direção à fronteira do México com os Estados Unidos. A primeira delas saiu de San Pedro Sula, em Honduras, e as outras duas deixaram El Salvador e Guatemala posteriormente. Os migrantes fogem da falta de perspectivas em seus países e, sobretudo, da violência das gangues (maras).

Neste domingo, cerca de 5.000 migrantes hondurenhos se concentraram na cidade mexicana de Puebla, a 120 quilômetros da Cidade do México. Eles foram recebidos em seis abrigos montados pela Igreja Católica. Os anfitriões guardaram provisões por dias, à espera dos migrantes vindos do estado vizinho de Veracruz. O governo desse estado cancelou a oferta de caminhões para levá-los a Puebla, o que provocou atraso. Parte dos migrantes já está na próxima etapa da caminhada, a Cidade do México, onde todos devem se concentrar na segunda-feira.

“Estamos suprindo o Estado. O ano todo estamos recebendo migrantes e esta caravana nunca nos comunicou”, disse Gustavo Rodríguez, membro da Arquidiocese de Puebla, que tem capacidade de abrigar 4.000 pessoas.

O governo de Puebla colocou à disposição suas unidades de saúde. Paramédicos da Cruz Vermelha e médicos voluntários se somarão ao atendimento dos doentes. Os abrigos distribuíram alimentos e bebidas quentes.

Os cerca de 2.000 migrantes centro-americanos de uma segunda caravana partiram esta manhã do município de Pijijiapan para Arriaga, no estado de Chiapas (sul). Trata-se do último ponto antes de entrar no estado vizinho de Oaxaca. Polícia Federal e a Defesa Civil acompanharam o grupo. O terceiro grupo de migrantes, de maioria salvadorenha, avançou neste domingo do município de Metapa de Domínguez para Tapachula, em Chiapas.

Na semana passada, Trump chegou a declarar que os migrantes seriam recebidos a bala se houvesse alguma reação deles contra as forças de segurança deslocadas para a fronteira. Por sua ordem, 5.000 soldados serão enviados para a fronteira. Mas ele já avisou que o contingente militar pode alcançar 15.000.

Isto é o Texas

Segundo o Washington Post, a organização Texas Minutemen está envindo 100 voluntários para o Rio Grande com a missão de deter o avanço de migrantes que, porventura, cruzem a fronteira. O presidente da entidade, Shannon McGauley, é um deles. “Meu telefone está tocando sem parar nos últimos sete dias. Tem outras milícias, maridos e mulheres, pessoas vindas do Oregon, de Indiana. Tem até dois do Canadá”, afirmou McGauley, que não escondeu o fato de todos se moverem armados para a fronteira.

“Isto aqui é o Texas, homem”, respondeu ele à reportagem do Post.

O relatório mencionado pela Newsweek classifica os milicianos como “patrulhas de cidadãos”. Trata-se de uma categoria bastante popular na época da Independência dos Estados Unidos, no final do século XVIII, quando ainda não havia um Exército regular nem forças de segurança em ação no país. A presença dos milicianos divide os fazendeiros da região de fronteira, cujas propriedades são rotas de migrantes indocumentados.

Segundo o Post, o fazendeiro Michael Vickers disse que não autorizará o ingresso de membros das milícias vindos de outros lugares em sua fazenda. Ele próprio comanda o grupo Voluntários da Fronteira do Texas, com 300 integrantes. Mas Lucy Kruse, fazendeira de 96 anos, foi imperativa:

“Não vou permitir as milícias nas minhas terras. Eles são civis se atrevendo a tocar uma situação que cabe à Patrulha da Fronteira controlar e tomar as decisões. Eles podem causar prejuízos às propriedades e ameaçar os trabalhadores. Se eles atirarem em alguém, podem simplesmente dizer que a pessoa ferida estava pegando uma arma.”

(Com EFE)