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Milhares de operários continuam batalha em Fukushima um ano após tsunami

Maribel Izcue.

Fukushima, 6 mar (EFE).- Os reatores de Fukushima estão em ‘parada fria’, e a central sob aparente controle, mas um ano depois do acidente nuclear mais grave desde o de Chernobyl, a unidade de Daiichi é ainda uma área proibida, onde milhares de operários desafiam a cada dia a radioatividade.

Após a confirmação, em dezembro, de que os reatores danificados pelo devastador tsunami de 11 de março do ano passado estão de forma estável abaixo dos 100 graus centígrados, os trabalhadores se centram agora em evitar vazamentos e preparar a retirada das varetas de combustível nuclear.

Esta última é a operação de maior dificuldade técnica, e a Tepco, operadora da central, calcula que completá-la pode levar cerca de 25 anos, aos quais se somarão outros 15 para desmontar definitivamente os reatores danificados.

Atualmente, cerca de 3 mil operários da Tepco e de empresas como a Toshiba (que projetou a unidade 3) e terceirizadas entram a cada dia na unidade para injetar água nos reatores, conduzir o sistema de circulação do líquido, controlar o equipamento de medição ou retirar escombros radioativos, entre outras operações.

O reator 1 já está coberto por uma lâmina de poliéster a fim de conter as emissões, enquanto o prédio do reator 2 parece por fora intacto, embora em seu interior a radioatividade seja muito elevada. No final de fevereiro, medições efetuadas por um robô indicavam um altíssimo nível de até 200 milisieverts por hora.

Os vazamentos destas duas unidades ao exterior estão no entanto controladas, por isso os trabalhos prioritários se centram no prédio do reator 3 (sem teto e transformado em uma massa de ferros por causa de uma explosão de hidrogênio em março) e na piscina de combustível da unidade 4.

Nesta última estão sendo retirados, pouco a pouco, os escombros da parte superior com a ajuda de um guindaste para abrir um espaço que permita a retirada das varetas de combustível do interior da piscina.

Ao lado da unidade 3, onde se concentram os maiores níveis exteriores de radioatividade da usina (até 1.500 microsieverts por hora), está sendo construída uma estrutura que servirá no futuro como base para equipamentos manuseados por controle remoto.

Um muro de mais de 14 metros levantado com sacos separa o prédio do mar, no qual, apesar dos esforços para deter vazamentos radioativos, nos últimos meses foram parar toneladas de água contaminada.

Recentemente, os trabalhadores começaram a cobrir com cimento o leito marinho próximo à central para evitar que se propaguem elementos como o estrôncio-89 e o estrôncio-90 – este último com uma vida média de 29 anos -, ambos detectados no litoral.

A água contaminada acumulada na central foi um dos grandes problemas que os trabalhadores de Fukushima Daiichi tiveram que enfrentar nos últimos meses, embora boa parte já se armazene em mil contêineres com capacidade total para 165 mil toneladas de líquido.

Apesar da alta radioatividade em alguns pontos, os responsáveis pelo complexo insistem que os vazamentos estão controlados. Enquanto nos primeiros dias da crise foi informado que havia níveis de até 10.000 microsieverts por hora no local, agora o máximo no exterior são os 1.500 detectados em frente ao reator 3.

Apesar disso, a área de exclusão de 20 quilômetros em torno da central continua sendo um território abandonado, do qual tiveram que se deslocar precipitadamente cerca de 80 mil pessoas que ainda não têm data de volta.

Na área trabalham desde o começo do ano equipes das Forças de Autodefesa para descontaminar os prédios públicos, e está previsto que empresas privadas se encarreguem de limpar o resto do território, onde o nível de radioatividade varia segundo os municípios.

Em muitos lugares ao norte da central, para onde o vento arrastou as substâncias radioativas, as leituras são de até 50 milisieverts anuais, e em municípios como Futaba, ao pé da unidade, se detectam até 470 milisieverts anuais.

O governo do Japão deve revisar em abril as restrições na zona de exclusão e permitir o retorno por períodos dos moradores das áreas onde haja uma radioatividade de até 20 milisieverts anuais.

Naquelas que apresentam até 50 milisieverts anuais, será permitida a passagem restrita, enquanto as que apresentarem mais desse nível serão decretadas, por enquanto, ‘zonas inabitáveis’. EFE