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Milhares de colombianos protestam contra as Farc

Milhares de colombianos protestavam nesta terça-feira nas principais cidades de seu país contra o sequestro e a guerrilha das Farc, 10 dias depois do assassinato de quatro pessoas que os insurgentes mantinham como reféns havia mais de 12 anos.

Os protestos, alguns deles debaixo de chuva, especialmente em Bogotá, começaram às 10h00 locais (13h00 de Brasília) com o objetivo de “exigir a liberdade imediata de policiais, civis e militares” que permanecem no poder dos grupos armados ilegais, segundo afirmou Andrés Santiago, porta-voz de uma das organizações que convocaram as manifestações por meio de redes sociais.

Apesar de Santiago ter esclarecido que a mobilização “não é contra ninguém, mas uma exigência de liberdade”, os cartazes com mensagem de rejeição às Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), o principal grupo rebelde do país, destacavam-se entre os cidadãos que protestavam.

Anteriormente, Santiago havia afirmado que após a mobilização a espectativa era a “resposta de sempre” do Secretariado (liderança) das Farc. “Vão dizer que isso não vale a pena, mas os alguns guerrilheiros vão se dar conta de que a luta armada não leva a lugar nenhum”, disse.

No entanto, neta terça-feira, o diretor da polícia, general Oscar Naranjo, afirmou que “apesar de os colombianos acreditarem que estas organizações não se preocupam com as expressões populares”, os relatórios de inteligência dizem que estas “produzem nelas tremenda preocupação, e “é uma verdadeira angústia ver como os colombianos pressionam e rejeitam seus métodos terroristas”.

Nesta segunda-feira, o governo chamou abertamente a protestar “contra as Farc e pela libertação de todos os reféns”.

“Que ninguém fique em sua casa, que ninguém fique em seus escritórios, porque todos vamos protestar com um só propósito, um propósito que nos une: dizer sim à liberdade e não ao sequestro”, afirmou o presidente Juan Manuel Santos em um ato público.

A mobilização foi convocada após o assassinato, em 26 de novembro, de quatro oficiais que as Farc mantinham em seu poder havia mais de 12 anos, entre eles o mais antigo refém da guerrilha, sequestrado em 21 de dezembro de 1997.

Um relatório forense determinou que os oficiais foram executados com disparos nas costas e três deles, na cabeça.

Em um gesto de adesão à mobilização, o jornal El Espectador de Bogotá, um dos mais importantes do país andino, deixou em branco sua capa nesta terça-feira e em um trecho destacou a frase “queremos os reféns livres já”, um dos slogans do dia.

As principais manifestações em Bogotá, que partiram de sete pontos da cidade, se dirigem à praça central Bolívar, onde devem realizar o ato central da mobilização.

Lá, e nas outras cidades do país, a espectativa é de um grito unânime de “liberdade já”, seguido pela leitura dos nomes de ao menos 10 oficiais que permanecem no poder das Farc.

Além de todas as cidades da Colômbia, os organizadores convocaram protestos para além de suas fronteiras, na América Latina, Estados Unidos e Europa.

As Farc, com 47 anos de luta armada, acusaram o governo de responsabilidade na morte dos reféns após ter ordenado uma operação de resgate “demente”.