Clique e Assine a partir de R$ 7,90/mês

Milhares de ativistas pedem fechamento da antiga Escola das Américas nos EUA

Por Mathieu Rabechault 19 nov 2011, 20h07

Milhares de ativistas ocuparam neste sábado a entrada principal da antiga Escola das Américas na Geórgia, sudeste dos Estados Unidos, para exigir seu fechamento e o fim dos treinamentos de militares latino-americanos em academias deste país, informaram os organizadores.

“Mais de 4.000 pessoas participaram nos protestos deste sábado”, disse à AFP Hendrick Voss, porta-voz da organização SOAW (School of Americas Watch).

A polícia de Columbus, cidade 173 km a sudoeste de Atlanta, onde é realizado o protesto que durará até domingo, não quis divulgar o número de participantes.

Os ativistas se concentraram na entrada de Fort Benning, onde está localizado o Instituto do Hemisfério Ocidental para a Cooperação em Segurança, antiga Escola das Américas.

Entre os participantes destacou mais uma vez a presença do ator Martin Sheen, que falará à multidão no domingo.

“É a partir de vários atos de valentia que se escreveu a história da Humanidade”, disse o ator antes de chegar à Geórgia (sudeste) em um pedido ao governo americano para que feche esta escola.

No início deste ano, 69 congressistas pediram ao presidente Barack Obama que ordenasse por decreto o fechamento da escola e no mês passado o representante democrata Jim McGovern apresentou um projeto de lei para suspender suas operações e investigar os abusos de direitos humanos na América Latina.

Continua após a publicidade

“Os Estados Unidos não podem continuar mantendo aberta uma escola de assassinos, onde os militares e policiais de nossos países recebem lições de tortura, de conspiração e de golpes de Estado”, afirmou na sexta-feira à AFP Jimena Paz, militante da Equipe Sul da SOAW.

Os organizadores do protesto anual de três dias contam com o apoio da atriz Susan Sarandon e com a presença do presidente da Associação Nacional para o Progresso das Pessoas de Cor (NAACP), Edward DuBose, de sobreviventes de torturas e de ativistas dos direitos humanos da América Latina.

O fundador da SOAW, o padre Roy Bourgeois declarou à AFP que, como ativista, está “muito decepcionado com o presidente Barack Obama por sua política externa com a América Latina”.

“Nossas expectativas eram de que, pelo menos, interrompesse o treinamento de militares estrangeiros nos Estados Unidos”, acrescentou.

Segundo Bourgeois, as autoridades explicaram que agora ensinam democracia.

De acordo com os organizadores do protesto, Colômbia, Chile, Peru, Nicarágua, República Dominicana, Equador, Panamá, Honduras, El Salvador, Guatemala, Costa Rica, Paraguai e México seguem enviando militares ou policiais aos Estados Unidos para que sejam treinados.

A Escola das Américas foi fundada em 1946 no Panamá, onde permaneceu até 1984. Durante a Guerra Fria, suas instalações serviram para formar milhares de oficiais latino-americanos em táticas de contrainsurgência ou espionagem, entre outras.

Continua após a publicidade

Publicidade