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Membro do Hezbollah participou de evento na sede governo paulista

Bilal Wehbe, do grupo terrorista libanês, esteve em solenidade com o governador Márcio França

Por Leonardo Coutinho 21 abr 2018, 16h13

O xeique xiita Bilal Mohsen Wehbe é o principal nome do grupo terrorista Hezbollah na América do Sul. Libanês naturalizado brasileiro, Wehbe assumiu esse papel depois que seu meio-xará Mohsen Rabbani foi obrigado a fugir da Argentina acusado de ter sido o arquiteto do atentado conta a sede da Associação Mutual Argentina, em 1994, na cidade de Buenos Aires. A explosão de um carro-bomba, que provocou a morte de 84 pessoas, foi atribuída ao grupo Hezbollah, de Rabbani e Wehbe. Apesar desse currículo, o “embaixador” do Hezbollah esteve entre os convidados de um evento realizado na terça-feira passada (17) no Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista.

Wehbe foi bem prestigiado. Ele ganhou o primeiro assento da lateral esquerda da mesa que tinha o governador Márcio França (PSB) na cabeceira. Depois, ele posou todo pimpão para as fotos com autoridades, inclusive com o próprio governador. Procurado, o Governo de São Paulo respondeu que “a comitiva foi definida pela Associação dos Empresários Libaneses do Brasil, sem qualquer interferência do Palácio dos Bandeirantes”. A entidade que levou o ” embaixador” do Hezbollah para um evento oficial é presidida por Issam Sidom, que também estava na solenidade.

Atentado em AMIA
Escombros da Amia, em Buenos Aires. Atentado cometido pelo Hezbollah, do xeique Bilal Wehbe. Cambalechero/Commons/Reprodução

“É preocupante ver um membro do Hezbollah ter acesso aos mais altos níveis do governo. São internacionalmente conhecidos os vínculos dessa organização com o contrabando e o tráfico de drogas na região da Tríplice Fronteira e os efeitos sobre o Brasil. Seria prudente que os governantes se cuidassem melhor para evitar dar legitimidade para extremistas”, recomenda o especialista em segurança Emanuele Ottolenghi da Fundação para Defesa das Democracias, com sede em Washington. Recentemente, Ottolenghi apresentou no Congresso dos Estados Unidos os vínculos do Hezbollah, representando no Brasil por Wehbe, e o PCC  para o envio de cocaína para o Oriente Médio.

O nome de Wehbe está na lista de pessoas sancionadas pelo governo dos Estados Unidos por financiamento e suporte ao terrorismo desde 2010. O libanês foi identificado pelo Departamento dos Tesouro americano como sendo um dos principais nomes do Hezbollah em atividade na região da Tríplice Fronteira (formada pelo Brasil, Argentina e Paraguai). Depois de ter enfrentado problemas legais no Paraguai, Wehbe se mudou para São Paulo, onde comanda uma mesquita localizada no bairro do Brás e vive sem ser incomodado.

Considerada uma das mais bem-sucedidas experiencias de integração cultural no Brasil, a comunidade libanesa é um exemplo de sucesso. Entre os seus membros estão empresários, cientistas, artistas e políticos. No Congresso já passaram diversos parlamentares de origem libanesa e o próprio presidente da República Michel Temer é filho de imigrantes libaneses.

Na reunião de terça-feira, os representantes da comunidade libanesa no Brasil pediram ao governador Márcio França o apoio para a criação de um voo direto entre São Paulo e Beirute. A presença incômoda de Wehbe pode ser considerada a primeira turbulência.

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