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Médicos dizem que mais de 300 morreram por ‘gás tóxico’

Os óbitos foram confirmados por três hospitais da região de Damasco, que relataram ter atendido 3.600 pacientes apresentando 'sintomas neurotóxicos'

Por Da Redação 24 ago 2013, 17h22

A organização Médicos Sem Fronteiras afirmou neste sábado que pelo menos 355 pessoas morreram após o suposto ataque com armas químicas ocorrido na quarta-feira na Síria. O grupo, sediado em Paris, deu ainda outro dado alarmante: três hospitais da região de Damasco relataram ter recebido cerca de 3.600 pacientes com “sintomas neurotóxicos” causados por gás naquele dia.

Há dúvidas sobre quem estaria por trás do ataque com gás contra subúrbios controlados pelos rebeldes em Damasco, matando homens, mulheres e crianças que dormiam. A oposição chegou a falar em 1.300 mortes, mas como observadores da ONU não conseguem visitar o local, não houve uma verificação de órgão independente. O caso levantou novas discussões sobre uma potencial ação militar internacional no país caso armas químicas tenham sido realmente usadas.

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O MSF não tem pessoal próprio na região, mas tem apoiado os hospitais e redes de médicos desde 2012. “Os sintomas reportados dos pacientes, além do padrão epidemiológico dos eventos – caracterizado pelo influxo massivo de pacientes num curto período de tempo, a origem dos pacientes, e a contaminação de trabalhadores de assistência médica e de primeiros socorros – indicam fortemente a exposição em massa a um agente neurotóxico”, disse o diretor de operações Bart Janssens, em nota.

Janssens afirma ainda que, se confirmado o ataque, “isso constituiria uma violação do direito internacional humanitário, que absolutamente proíbe o uso de armas químicas e biológicas”. Ele ressalva que a MSF não poderia confirmar a causa dos sintomas ou dizer quem foi o responsável pelo ataque, mas que tinha enviado 7.000 frascos de atropina – um antídoto contra agentes nervosos.

Irã – Principal aliado regional da Síria, o governo do Irã confirmou neste sábado a morte de pessoas por armas químicas no país, mas creditou o ato aos rebeldes. “Há provas de que grupos terroristas realizaram essa ação”, disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, citado pela agência de notícias ISNA. “Condenamos fortemente o uso de tais armas”, acrescentou.

O presidente recentemente eleito no Irã, Hassan Rohani, também criticou o uso de gás tóxico e lamentou as mortes de “muitas das pessoas inocentes”. “A República Islâmica avisa a comunidade internacional para que use todo o seu poder a fim de evitar o uso dessas armas em qualquer parte do mundo, especialmente na Síria”, declarou.

(Com agências Estadão Conteúdo e Reuters)

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