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Médicos descartam desligar os aparelhos de Mandela

Um amigo da família afirmou que a decisão só será discutida quando "houver uma falência real dos órgãos vitais" do ex-presidente sul-africano

Os médicos do ex-presidente sul-africano Nelson Mandela descartaram a opção de desligar os aparelhos que o mantêm vivo, enquanto não houver uma falência real dos órgãos vitais. A informação é de um amigo da família, Denis Goldberg, que visitou Mandela no início desta semana. “Disseram-me que a questão [de desligar os aparelhos] foi discutida, mas os médicos disseram que considerarão esta opção apenas se houver uma falência real dos órgãos. Como isso não aconteceu, estão dispostos a esperar calmamente e a estabilizar seu quadro até a sua recuperação”.

À imprensa sul-africana, Goldberg disse ter sido convidado pela mulher de Mandela, Graça Machel, para visitar o ex-presidente. O amigo confirmou que Mandela está respirando por aparelhos, mas disse que ele está “totalmente consciente”. “Ele não responde porque não pode falar, mas mexeu o queixo como se quisesse falar. Isso foi totalmente incrível, depois das histórias que eu ouvi”, disse à City Press. A mulher de Mandela disse que ele às vezes sente algum desconforto, mas raramente sente dor. O ex-presidente está internado desde 8 de junho e recebe tratamento para uma infecção pulmonar.

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O governo sul-africano afirmou nesta sexta que o estado de Mandela segue crítico, mas estável e voltou a negar que ele esteja em estado vegetativo permanente. Um documento judicial, com data de 26 de junho, divulgado nesta quinta-feira afirmava que a família, aconselhada pelos médicos, cogitou desligar os aparelhos. O porta-voz da presidência Mac Maharaj justificou a cautela ao divulgar informações sobre o estado de saúde do ex-presidente: “Não entramos nos detalhes médicos para respeitar a intimidade do ex-presidente Nelson Mandela e de sua família e para preservar a dignidade do ex-presidente”.

Disputa – O documento indicando que Mandela estava “em estado vegetativo” foi redigido pelo advogado da família, que entrou com uma representação contra o neto mais velho do ex-presidente, Mandla, de 38 anos. O processo diz respeito ao episódio em que Mandla transferiu os restos mortais de três filhos de Mandela (entre eles o de seu pai) de Qunu, onde ex-presidente passou a infância, para a aldeia natal do ícone sul-africano e onde ele vive, Mvezo. O neto de Mandela foi derrotado na Justiça e atacou pessoalmente vários de seus familiares.

Após as declarações de Mandla, o arcebispo e Nobel da Paz sul-africano Desmond Tutu pediu o fim das brigas entre os membros da família do ex-presidente Nelson Mandela. O porta-voz da presidência também considerou “lamentáveis” as trocas de acusações entre os familiares. “É lamentável que haja uma disputa entre membros da família, e gostaríamos que fosse resolvida de forma amigável o quanto antes”.

(Com agência France-Presse)