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Mario Monti, um economista renomado e o oposto de Berlusconi

Por Vincenzo Pinto 13 nov 2011, 11h14

Cotado para assumir o Governo italiano e restaurar a confiança dos mercados, Mario Monti, um homem ponderado de 68 anos, é o oposto do efervescente Silvio Berlusconi, acusado de ter destruído a credibilidade do país.

Às vezes apelidado de “o Cardeal”, construiu uma reputação de competência e independência como comissário europeu por 10 anos (1994-2004).

Sinal que os tempos já mudaram: longe dos tribunais ou mansões luxuosas, os paparazzi fotografaram e filmaram Monti na saída da missa neste domingo em Roma.

Nomeado senador vitalício na sexta-feira pelo presidente Giorgio Napolitano, já é considerado pela diretora-gerente do FMI, Christine Lagarde, o próximo chefe de governo.

“Eu conheço muito bem Mario Monti, tenho uma grande estima e muito respeito por ele. Eu acredito que ele é um homem de grande qualidade, com o qual sempre mantive um diálogo frutífero e extremamente caloroso”, declarou antes mesmo da nomeação.

Muito discreto desde que seu nome passou a ocupar as manchetes dos jornais, o candidato percebeu durante os últimos meses, que suas intervenções em relação à crise multiplicaram. “É necessário realizar reformas impopulares, combinando as ideias mais sensatas de cada partido político”, já dizia no dia 23 de setembro.

“Acredito que algum conhecimento sobre os problemas não vai atrapalhar”, falou modestamente recentemente.

Nascido no dia 19 de março de 1943 em Varese, Mario Monti estudou na prestigiosa universidade Bocconi de Milão, considerada a melhor universidade de economia da Itália.

Prosseguiu seus estudos em Yale nos Estados Unidos, onde estudou com o prêmio Nobel James Tobin, pai do projeto de taxação das transações financeiras que leva seu nome.

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De 1970 a 1985, deu aulas na universidade de Turin e depois se tornou professor de economia política em Bocconi, onde ocupou sucessivamente os cargos de diretor do Instituto de economia política, reitor e presidente, função que ocupa até hoje.

Em 1994, foi apresentado pelo primeiro governo de Silvio Berlusconi para o cargo de Comissário Europeu ao Presidente da Comissão Europeia, Jacques Santer, que lhe confiou o Mercado Interno, Serviços Financeiros, Fiscalidade e União Aduaneira.

Em 1999, o governo de esquerda de Massimo D’Alema o manteve no mesmo cargo. No mesmo ano, recebeu do Presidente, o seu compatriota Romano Prodi, a cobiçada pasta da Competição.

Fortaleceu desta maneira, sua imagem como homem acima de partidos.

Sob seu comando, a Comissão reforçou suas atividades antitruste. Mario Monti moldou à sua imagem de comissário duro nos negócios e “impermeável as pressões”.

Independente de seu interlocutor, Mario Monti “não gosta quando há regras, de ter a impressão que elas estão em curto-circuito”, assegura uma pessoas próxima. O comissário é um “Cardeal”, “alguém muito difícil de penetrar”.

Muito amistoso, este homem casado e pai de duas crianças permanece sempre firme em seus propósitos. “Com palavras muito educadas, ele envia qualquer um para a Inquisição, se considerar justo e necessário”, comentou essa fonte, embora reconheça a competência do doutor em economia.

Em um artigo de fevereiro de 2000 intitulado “Super Mario”, o The Economist apresentou Mario como “um dos mais poderosos burocratas europeus, que prefere a persuasão ao invés da polêmica”.

“Ele tem um ar de autoridade que mesmo a calvície não ousa desafiar”, brincou o semanário britânico em alusão ao seu abudante cabelo.

No final de sua estada em Bruxelas, Monti voltou a suas atividades acadêmicas e editoriais no jornal de referência na Itália, Corriere della Sera.

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