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Manifestantes pedem saída imediata de Bolsonaro da Argentina

Na Praça de Maio, movimentos sociais e sindicais protestam contra a presença do presidente brasileiro e suas ideias de extrema direita

Por Denise Chrispim Marin - 6 jun 2019, 21h16

Uma multidão de argentinos protesta nesta quinta-feira, 6, contra a presença do presidente Jair Bolsonaro no país. A manifestação foi convocada por movimentos sociais e sindicais e partidos de esquerda da Argentina, contrariados com o ideário de extrema direita de Bolsonaro, sua aversão aos direitos humanos e à proteção das minorias e a sua defesa aos ditadores e torturadores dos regimes militares da região.

A concentração começou por volta das 18h na Praça de Maio, tradicional ponto de manifestações no centro de Buenos Aires, onde está a Casa Rosada. O movimento tem como principais motivadoras as organizações Mães e Avós da Praça de Maio, que há décadas pedem informações sobre seus filhos desaparecidos e netos sequestrados por agentes do regime militar argentino.

Também participam as duas alas da Central de Trabalhadores da Argentina, a Federação Argentina LGBT, a Mesa Nacional pela Igualdade e contra Discriminação e a plataforma Ni Una Menos (Nem uma a menos), contra a violência às mulheres. Os manifestantes tocavam bumbos, como nos tradicionais protestos sindicalistas argentinos, e traziam cartazes com os dizeres “Fora Bolsonaro da Argentina”.

“Repudiamos a decisão de Mauricio Macri de receber Bolsonaro, um militar rodeado de militares”, afirmou a psicóloga Nora Cortiñas, uma das fundadoras das Mães da Praça de Maio. “Rechaçamos a vinda de Bolsonaro com todas as nossas forças. Ele não tem nada a fazer aqui. Pedimos que vá embora imediatamente. Ele é um genocida. Tem espírito de genocida”, completou ela à Cronica TV.

A militante Nora Cortiñas, da organização Mães da Praça de Maio: Bolsonaro é um ‘genocida’ – 06/06/2019 Twitter/Reprodução

O protesto Argentina Rechaça Bolsonaro foi convocado pelos movimentos sociais e políticos pelo Facebook. “A ascensão de Bolsonaro à Presidência e sua contínua apologia da tortura e da discriminação fazem com que, no Brasil, cresçam todos os indicadores de violência racista, de gênero, feminicídios, homofobia e transfobia”, explicaram os organizadores do movimento.

Boa parte dos movimentos, em especial a mais alinhada ao peronismo, repudiou as declarações de Bolsonaro em favor da reeleição de Macri, nas eleições de outubro, e de associação da eventual chapa Alberto Fernández-Cristina Kirchner à conversão da Argentina em uma Venezuela.

O presidente brasileiro tem repetido essas máximas nos últimos meses e, ao lado de Macri, nesta quinta-feira na Casa Rosada, recomendou aos argentinos votar com “muita responsabilidade, muita razão e menos emoção”. Em uma insinuação sobre o resultado da eleição no país vizinho, Bolsonaro ainda disse que “não queremos novas ‘Venezuelas’ na região”.

Ao contrário do que os manifestantes pedem, Bolsonaro deixará a Argentina somente na manhã de sexta-feira, 7. Em sua agenda em Buenos Aires, o presidente brasileiro evitou deslocamentos para a Corte Suprema e o Congresso, previstos em visitas de Estado como esta, e preferiu receber os principais representantes dos dois poderes na Casa Rosada. Dessa forma, evitou contato com os manifestantes.

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