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Mali: rebeldes anunciam ‘libertação total da região de Gao’

Os rebeldes tuaregues do Movimento Nacional para a Libertação de Azawad (MNLA) “tomaram o controle” da cidade de Gao e “puseram fim à ocupação do exército em toda a região” do norte de Mali, anunciou o grupo rebelde em um comunicado divulgado neste domingo.

“Agora a região de Gao também está sob nosso controle e administração”, dizia um comunicado divulgado no site do MNLA.

Gao, uma cidade de 90.000 habitantes, era a sede do estado maior do exército regular para toda a região norte e caiu 24 horas depois de os rebeldes tomarem a cidade de Kidal.

Os membros do MNLA, principal componente da rebelião, anunciaram neste domingo também o controle de Tombuktu, última cidade do nordeste de Mali que estava sob controle governamental.

O MNLA “acaba de terminar com a ocupação mali” em Tombuktu e em toda sua região e atualmente afirma “seu controle e a administração”, afirmava um outro comunicado publicado no site do grupo rebelde. Segundo testemunhas, combatentes tuaregues entraram na cidade neste domingo ao meio-dia.

De acordo com os habitantes, entrevistados por telefene pela AFP, os rebeldes penetraram em Tombuktu quase sem combate, após ter negociado com uma milícia árabe leal ao governo que sofreu a deserção da maior parte dos militares do exército mali.

Vários testemunhos declararam que houve saques, especialmente em edifícios públicos de vários bairros.

Em seu comunicado, o MNLA reafirmou “uma vez mais que não possui vínculos com nenhuma organização islâmica”.

Situada a 800 km ao nordeste de Bamako, ao longo do rio Níger, a cidade histórica de Tombuktu, com uma população de 50.000 habitantes, está inscrita na lista do patrimônio mundial da Unesco.

“Escutei muitos tiros vindos do sudeste de Tombuktu no domingo pela manhã”, disse uma testemunha por telefone à AFP.

Já a cidade de Gao, segundo fontes, caiu em mãos rebeldes na noite de sábado para domingo.

No sábado à noite, o chefe da junta militar que tomou o poder em Mali no dia 22 de março havia ordenado ao exército “que não prolongasse os combates” deixando de fato a cidade aberta aos rebeldes, que lançaram sua ofensiva pela manhã.

Para essa ofensiva, participaram vários grupos: o MNLA, o grupo islâmico Ansar Dine, do chefe tuaregue Iyad Ag Ghaly, e elementos da Al-Qaeda no Magreb Islâmico (AQMI).

O “Movimento pela Unidade e o Jihad na África do Oeste (MUYAO), uma dissidência de AQMI dirigida por malis e mauritânios, também reivindicou sua participação no ataque de Gao.