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Mais 4 alunos são acusados no caso de decapitação de professor francês

Samuel Paty foi assassinado por um extremista islâmico russo-checheno de 18 anos dias depois de mostrar a estudantes em aula charges de Maomé

Por Da Redação Atualizado em 26 nov 2020, 09h21 - Publicado em 26 nov 2020, 09h12

Quatro estudantes com idades entre 13 e 14 anos foram acusados na quarta-feira 26 na investigação da decapitação do professor francês Samuel Paty, em 16 de outubro passado. Três alunos foram denunciados por “cumplicidade em assassinato terrorista”.

Segundo fontes judiciais que acompanham o caso, três dos menores acusados identificaram a vítima para que o agressor, Abdoullakh Anzorov, conduzisse o ataque em frente ao centro educacional onde Paty lecionava, nos arredores de Paris. Uma quarta pessoa, também menor, foi acusada de “denúncia caluniosa”.

Os quatro adolescentes foram detidos por ordem dos juízes antiterroristas franceses e posteriormente libertados sob vigilância após serem apresentados a um magistrado. Até o momento, são catorze pessoas acusadas neste caso, várias delas menores.

Samuel Paty, um professor de 47 anos, foi assassinado, quando saía do trabalho, por um extremista islâmico russo-checheno de 18 anos. Em uma aula em setembro sobre liberdade de expressão, mostrou duas charges irreverentes sobre o profeta Maomé. Elas estavam entre as publicadas em 2015 pelo jornal satírico Charlie Hebdo, fato que desencadeou outro sangrento ato terrorista: doze pessoas foram massacradas na redação ou perto dela. Carregados pelo mesmo sentimento de ódio, dez meses depois radicais islâmicos fuzilaram 130 pessoas em diversos pontos de Paris, incluindo a casa noturna Bataclan.

Abdoullakh Anzorov foi morto pelas forças de segurança minutos depois de cometer o crime. Ele morava na Normandia e não conhecia nem o professor, nem os alunos. Ao que tudo indica, viu um vídeo postado pelo pai indignado de um aluno muçulmano de Paty e mandou a ele uma mensagem dizendo que ia tratar do caso “à minha maneira”.

Com uma população de 5 milhões de muçulmanos, a maior da Europa Ocidental, a França se tornou um campo fértil para ressentimentos e extremismos. O presidente Emmanuel Macron esteve no local do crime após o assassinato, prestou homenagem a Paty e afirmou que “os terroristas não vencerão”. Por sua declaração, foi criticado por líderes islâmicos, que também organizaram um boicote aos produtos franceses.

(Com AFP)

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