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Mais de 800 venezuelanos entram no Brasil diariamente, aponta Acnur

Desde 2017, mais de 52.000 venezuelanos já entraram no Brasil e boa parte vive em Roraima, alguns em situação de rua

Por EFE - 6 abr 2018, 14h35

Mais de 800 venezuelanos entram no Brasil todos os dias fugindo da crise no país, informou nesta sexta-feira o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur), citando dados governamentais.

“Enquanto a complicada situação política e socioeconômica no país segue piorando, os venezuelanos necessitam desesperadamente de comida, refúgio e tratamento médico. Muitos necessitam de proteção internacional”, indicou em entrevista coletiva o porta-voz do Acnur William Spindler.

Perguntado sobre as razões dadas pelos venezuelanos para fugir, o porta-voz respondeu que são variadas. “Insegurança, incapacidade de encontrar comida e remédios e falta de meios de vida por causa da crise econômica”.

Mais de 52 000 venezuelanos chegaram ao Brasil desde 2017, 40 000 deles através do estado de Roraima, com a maioria vivendo na capital, Boa Vista. A pressão sobre a população local e os serviços públicos foi tal que o governo brasileiro declarou estado de emergência na cidade e ofereceu 190 milhões de reais em assistência para os venezuelanos.

Spindler explicou que o Acnur está trabalhando com o governo brasileiro para assegurar que todos os que cruzam a fronteira sejam registrados e tenham toda a documentação necessária. “Uma vez os solicitantes de asilo, assim como os que têm permissões especiais para ficar, são documentados, eles têm o direito a trabalhar, contam com acesso ao sistema de saúde, educação e outros serviços básicos”, especificou.

Destes 52 000 venezuelanos que vivem no Brasil, 25 000 são solicitantes de asilo, 10 000 têm vistos temporários, enquanto o resto tenta regularizar sua situação.

Spindler ressaltou que as autoridades brasileiras e o Acnur estão cada vez mais preocupados pelos “crescentes riscos que enfrentam os venezuelanos que estão vivendo nas ruas, incluindo exploração sexual e violência”. Os recém-chegados estão hospedados em dez centros de amparo, onde as crianças são vacinadas.

Em paralelo, o Acnur trabalha junto com as autoridades para identificar venezuelanos que queiram ser realocados em outras zonas do Brasil, algo que, segundo uma pesquisa, é o desejo de 77% dos amparados. Até o momento outros 600 venezuelanos foram realocados noutras cidades brasileiras.

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