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‘Loya Jirga’ afegã apoia aliança militar de 10 anos com os EUA

Por Da Redação 19 nov 2011, 12h47

Cabul, 19 nov (EFE).- A ‘Loya Jirga’ (assembleia tribal afegã) concluiu neste sábado a reunião realizada durante quatro dias em Cabul com uma declaração de apoio à decisão do presidente Hamid Karzai de firmar uma aliança militar de dez anos com os Estados Unidos.

Segundo fontes oficiais, a declaração foi aprovada por maioria entre os mais de 2 mil participantes da conferência, embora com certas condições, como a suspensão das operações noturnas de busca por insurgentes, muito impopulares entre os cidadãos.

A declaração também inclui a condição de que as forças americanas só realizem operações no país ‘de maneira conjunta com as tropas das Forças Armadas afegãs’.

Em discurso pronunciado no ato de encerramento, Karzai expressou sua satisfação pelos termos da declaração de apoio à aliança militar com os EUA, ao afirmar que houve acordo em ‘todas as recomendações’ aprovadas na conferência.

‘Enxergamos o que foi aprovado não como uma sugestão, mas como um mandato do povo afegão’, afirmou Karzai, que considerou a declaração como ‘uma direção para o governo’.

A aliança militar com os EUA inclui o estabelecimento de bases norte-americanas após a conclusão da retirada das tropas da Otan do país, em 2014, e conta com rejeição frontal do movimento talibã, que pediu aos participantes que não comparecessem ao encontro.

A reunião aconteceu na Universidade de Cabul em meio a um grande desdobramento de unidades policiais e militares para neutralizar a ameaça dos insurgentes, que na segunda-feira anunciaram que haviam tido acesso aos planos de segurança preparados para o encontro.

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A ameaça se materializou na quinta-feira, quando os talibãs lançaram das montanhas que circundam a capital afegã dois foguetes que atingiram os arredores do campus universitário, embora tenham causado apenas ferimentos leves em uma pessoa.

Karzai não precisava do apoio da ‘Loya Jirga’ para levar seus planos adiante, mas tinha convocado a assembleia tribal para reforçar sua posição diante de um acordo estratégico com os EUA, que além da rejeição dos insurgentes desperta receio entre os países vizinhos.

O presidente afegão fez alusão a essa desconfiança neste sábado, por parte sobretudo do Irã e do Paquistão, ao esclarecer em seu discurso que o Afeganistão ‘não quer que seu solo seja utilizado contra os vizinhos’.

A assembleia tribal afegã também apoiou o chamado ‘processo de reconciliação nacional’ promovido por Karzai para alcançar um acordo de paz com os talibãs por meio de negociações, em uma iniciativa que até agora não obteve êxito.

O movimento insurgente, por outro lado, adverte que não empreenderá um processo sério de negociação com as autoridades afegãs enquanto o país continuar contando com presença militar estrangeira.

Os talibãs classificam Karzai como ‘marionete’ e o acusam de seguir apenas as diretrizes de Washington.

Segundo analistas locais, o apoio da ‘Loya Jirga’ representa, no entanto, um apoio político interno a Karzai importante para a Conferência Internacional sobre o Afeganistão que acontecerá na cidade alemã de Bonn em dezembro. EFE

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