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Liga Árabe pede reunião com Ban Ki-moon sobre a Síria

Grupo tenta pressionar Bashar Assad a deixar o poder e realizar eleições

O secretário-geral da Liga Árabe, Nabil el-Araby, solicitou uma reunião com o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, e pediu apoio do Conselho de Segurança desse organismo ao plano árabe para solucionar a crise na Síria, de onde os países do Golfo decidiram retirar seus observadores porque continua “o massacre de inocentes”.

Entenda o caso

  1. • Na onda da Primavera Árabe, que teve início na Tunísia, sírios saíram às ruas em 15 de março para protestar contra o regime de Bashar Assad, no poder há 11 anos.
  2. • Desde então, os rebeldes sofrem violenta repressão pelas forças de segurança do ditador, que já mataram mais de 5.000 pessoas no país, de acordo com a ONU, que vai investigar denúncias de crimes contra a humanidade no país.
  3. • Tentando escapar dos confrontos, milhares de sírios cruzaram a fronteira e foram buscar refúgio na vizinha Turquia.

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Como informaram nesta terça-feira fontes da Liga Árabe, Araby enviou uma mensagem a Ban Ki-moon sobre o Mapa de Caminho aprovado no domingo, no qual pede ao presidente sírio, Bashar Assad, que transfira seus poderes ao vice-presidente e forme um governo de união nacional que dirija o país em direção a eleições livres. Além de consultar a ONU, o responsável pan-árabe pediu aos representantes da Organização da Conferência Islâmica, da União Africana, da União Europeia e do Conselho de Cooperação do Golfo que respaldem a iniciativa. Araby entrou em contato com vários ministros de Relações Exteriores estrangeiros, entre eles os da Rússia e Turquia, para conseguir seu apoio ao plano.

Enquanto isso, os países do Conselho de Cooperação do Golfo (CCG) decidiram nesta quarta-feira retirar seus observadores presentes na Síria, após o anúncio da Arábia Saudita no domingo. A decisão foi adotada “em continuação ao derramamento de sangue, o massacre de inocentes e o descumprimento por parte do regime sírio das resoluções da Liga Árabe”, revelou um comunicado do CCG publicado pela agência oficial saudita SPA.

Na reunião dos ministros das Relações Exteriores da Liga Árabe no último dia 22 no Cairo, o chefe da diplomacia saudita, Saud al-Faisal, anunciou que seu país havia decidido retirar seus observadores pelo descumprimento por parte de Damasco do plano árabe para frear o derramamento de sangue. Nessa reunião, os titulares da pasta das Relações Exteriores avaliaram o relatório final dos observadores, que destaca que houve “avanço parcial” por parte de Damasco, mas reconhece que a violência continua.

Mortes – Prova disso são os novos confrontos desta terça-feira, que deixaram pelo menos 40 civis mortos nas localidades de Homs e Hama, no centro do país, segundo um grupo da oposição síria. Os Comitês de Coordenação Local (CCL) informaram em comunicado a morte de 32 pessoas em Homs, quatro em Hama, duas na província noroeste de Idlib, uma em Damasco e outra na localidade litorânea de Raqa. A violência do dia coincide com as declarações dadas pelo ministro das Relações Exteriores sírio, Walid al Muallem, que defendeu que seu país tem a “obrigação” de enfrentar os atos terroristas cometidos em seu território, em referência aos “grupos armados” aos quais Damasco acusa de estar por trás da revolta contra o regime.

(Com agência EFE)